O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu ontem, em votação realizada entre os componentes da executiva municipal, formalizar aliança com a Frente Democrática e apoiar o candidato a prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) indicando Estela Almagro como vice. Os petistas da ala de situação confirmaram a ampla maioria dentro da legenda, obtendo 27 votos pela aliança e apenas cinco em defesa de candidatura própria. 32 dos 35 membros da executiva compareceram para votar.
Hoje, às 11 horas, os presidentes dos partidos que compõem a Frente Democrática anunciam oficialmente a aliança e apresentam a dobradinha Rodrigo-Estela à imprensa. O grupo está formado com PMDB, PT, PSB, PC do B e PR. Das legendas que participaram pela formação da frente desde o início, o PDT e PTB, optaram por candidatura própria.
Até a próxima quinta-feira, a Frente Democrática define qual será a combinação nas eleições proporcionais. Há várias formulações possíveis, de acordo com o potencial de votos de cada uma das listas de pretendentes a uma das 16 vagas na Câmara. O presidente municipal do PT, Sandro Bussola, disse que agora falta apenas definir a aliança proporcional. “Vamos junto com a Frente e com o PR conosco, compondo boa parte dos partidos que estão na base de sustentação do governo federal na aliança em Bauru. A composição proporcional será avaliada até a próxima semana”, confirma.
Contraponto a tucanos
A composição em torno de partidos que apóiam o governo federal vai se refletir na campanha da Frente Democrática em Bauru. Nas conversas internas as avaliações são de que o grupo contempla perfil para disputar votos nas classes A e B e, ainda, ir aos grotões de Bauru em busca da maior fatia do eleitorado, onde a manutenção de programas sociais do governo Lula, como o Bolsa Família, pode atrair simpatizantes.
A princípio, a dobradinha Rodrigo-Estela não pretende ser adversária do empresário Caio Coube (PSDB) e de Clemente Rezende (DEM), até porque o próprio peemedebista gastou muita conversa com o tucano em torno do convite que recebeu para ser o vice naquela chapa e, além disso, é componente, por origem, do mesmo grupo do atual governo, como Clemente.
Ou seja, se Caio tem um vice do governo municipal, Rodrigo também o é. De qualquer forma, o debate da Frente poderá ser indicado no rumo da alternativa contra a plataforma tucana-demista. Em síntese, a tentativa será de colocar a disputa entre o governo Lula e o governo tucano paulista.
Rodrigo Agostinho ratifica o raciocínio. “Ficamos um grupo muito forte com o PT e o PR juntos, com peso para ir às ruas com uma candidatura alternativa, um grupo que dá sustentação ao governo federal e isso tem de ser discutido na campanha, um contraponto não ao candidato adversário, mas ao programa do PSDB”, comentou ontem.
Conforme Agostinho, “a campanha vai discutir as carências da cidade, os ajustes no rumo da administração local, mas também a ansiedade que o bauruense tem por recursos federais, um contraponto entre Estado e União, e neste campo o grupo que apóia o governo Lula tem condições de atender a muitas demandas”.