A dona de casa Leonéia Pompeu, 31 anos, desembolsou, há dois anos, R$ 1.200,00 para preparar a festa de aniversário de 1 ano de seu filho. Detalhe: pagou tudo com moedas de R$ 1,00, guardadas durante seis meses. “Nunca tive vontade de gastar, pois era para aquele objetivo”, afirma. Mas o exemplo de Leonéia é cada vez mais raro de se encontrar.
Pesquisa realizada no ano passado pelo Instituto Datafolha a pedido do Banco Central (BC), denominada “O brasileiro e sua relação com o dinheiro”, revela um dado peculiar: as pessoas não têm o hábito de guardar moedas. Segundo o levantamento, apenas 25% dos entrevistados costumam guardar as moedas em casa, contra 75% que usam-nas no dia-a-dia.
Em relação à circulação das moedas, 79% dos entrevistados costumam utilizá-las para facilitar o troco de caixas ou cobradores, 76% utilizam para pagamentos e 64% exigem dos caixas ou cobradores o troco, mesmo que seja um valor pequeno. Entre os que não guardam o dinheiro, 27% optam por dar as moedas aos filhos e 8% as deixam no carro para dar aos pedintes.
O levantamento mostra, ainda, que 54% das pessoas não conseguem esperar por mais de uma semana e acabam gastando as moedas que possuem. Mas há também os mais ansiosos: 2% não conseguem passar mais de uma semana com as moedas guardadas para uma tentativa de poupança.
Os entrevistados também responderam sobre a necessidade de circulação de moedas superiores a R$ 1,00. A maioria prefere moedas de R$ 2,00 (75%) e 5% querem que o BC coloque em circulação moedas no valor de R$ 2,50.
Hábitos
Poucos imaginam, mas é possível fazer uma pequena poupança com moedas. Segundo a professora de administração financeira Márcia Elaine da Silva Almeida, basta mudar pequenos hábitos. O principal deles é focar em um objetivo, além de guardar todas as moedas, inclusive as de menor valor.
“Acontece que as pessoas deixam as moedas no carro e dão para pedintes, não conseguindo juntar um valor substancial. Imagine o valor acumulado em um ano somente guardando moedas de R$ 1,00”, observa. O caso não se aplica, por exemplo, para quem necessita de transporte público.
O objetivo da pesquisa é avaliar como a sociedade utiliza o dinheiro em relação a conservação, hábitos de uso de cédulas e moedas e identificação dos elementos de segurança. O levantamento foi realizado em todas as 26 Capitais brasileiras e o Distrito Federal, com a população em geral e comerciantes. Dos 2.041 entrevistados, 975 (sendo 566 comerciantes) residem em cidades da região Sudeste do País.