Cultura

Filme sobre Ian Curtis tem estréia nacional

Janaína Fainer, Especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Estreou nesta semana em circuito nacional Control, filme sobre a vida e morte de Ian Curtis, compositor, letrista, vocalista e por vezes guitarrista do Joy Division, banda inglesa que lançou um álbum de sucesso considerável. Ainda hoje o timbre baixo barítono de Curtis com suas melodias melancólicas tocam por aí. Quem tem entre 25 e 50 anos definitivamente já ouviu Atmosphere, Love will tear us apart ou Shadowplay pelo menos uma vez na vida, mesmo sem saber.

O filme é dirigido por Anton Corbjin. Ele é estreante em longametragem, embora tenha dirigido o vídeo feito para a música Atmosphere em 1988, para promoção da coletânea Substance, além de clips para Depeche Mode, Nirvana, Coldplay, entre outros.

Em entrevista de divulgação, Corbjin garante que seu primeiro longametragem não poderia ser outro senão a história de Ian Curtis. O roteiro de Matthew Greenhaulgh está baseado em Touching from a distance, livro de Deborah Curtis, a viúva. Daí a impressão que temos ao longo de todo o filme: Control foi realizado por um grande fã. Não que o filme não seja bom. Ele é, e muito. A opção por realizar a película em preto-e-branco passa toda a melancolia, a dor, o distúrbio de Curtis ao som do mais nobre rock and roll com imagens lindas. A cena entre Ian e Debbie que termina com Love will tear us apart é perfeita.

O filme chegou, ano passado, em Cannes com ares de cult. Fez bonito e não parou por aí, ganhando prêmios no Festival de Edinburgh e vários Baftas.

Sam Riley, em sua estréia como protagonista depois de papel inexpressivo no divertido 24 Hour Party People, além parecido fisicamente a ponto de incomodar com Curtis é um ator sensível que desponta como promessa.

Ian Curtis era um rapaz intenso e sofredor. Grandes artistas, os de verdade mesmo, têm certa dificuldade em lidar com questões mundanas e Corbjin não precisava demonizar certos personagens santificando outros para entendermos seu ponto de vista. Mas essa parcialidade não incomoda e em momento nenhum o espectador tem dúvida de estar vendo um filme que já nasceu clássico.

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