Um dos fatores que colaboram para a falta de qualificação dos profissionais de portaria é o fato de que a maioria das pessoas que atuam na área enxerga a atividade como algo passageiro. “Quando alguém vai em busca de formação é porque deseja trocar de ramo”, explica a psicóloga organizacional Gislaine Nazareth Aparecida Leite Gamba, responsável pelo setor de recursos humanos de uma empresa bauruense que presta serviços terceirizados de segurança.
Luciano Rodrigues Lessa, 26 anos, atuou como porteiro de uma faculdade em Bauru durante um ano e um mês e, na última semana, resolveu trocar de profissão. Ele, que anteriormente havia trabalhado como repositor em um supermercado, está prestes a se tornar piloto de aviões.
“Fui em busca de qualidade de vida. Para mim, a atividade de porteiro é como uma escada para trabalhos melhores. Não podemos nos acomodar jamais”, acredita ele.
Nem todos, porém, vislumbram deixar o trabalho nas guaritas para trás. Para o bauruense Luiz Mazzo, 27 anos, ser porteiro representou uma verdadeira ascensão profissional. Ele, que estudou somente até a 7.ª série do ensino fundamental, teve de se contentar, durante muito tempo, com serviços esporádicos que ofereciam uma baixa remuneração. “Eu era ‘chapa’ (ajudante) de caminhão. Só recebia salário quando aparecia entrega para fazer”, conta.
O baixo interesse das pessoas em permanecer na função pode ser ilustrada pela alta rotatividade de mão-de-obra que a profissão apresenta. Não por acaso, porteiro foi uma das dez atividades que mais admitiram em Bauru nos primeiros meses deste ano (levando-se em conta todos os setores da economia; no setor de serviços está entre as cinco que mais contrataram), de acordo com dados do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE).
Atualmente, o piso salarial para porteiros que atuam em empresas é pouco superior a R$ 530,00. Profissionais que trabalham em imóveis residenciais recebem, em média, remuneração superior a R$ 600,00.