Os casos mais comuns de distúrbios psíquicos tratados no Caps 1 são os de transtorno bipolar e de esquizofrenia. Os dois casos são graves, mas ao contrário do que se pensa, os portadores desses problemas podem muito bem conviver no meio social, sem que se perceba que eles tenham qualquer transtorno, desde que, é claro, façam o tratamento regularmente.
As psicólogas do Caps lembram que pode haver, no seu ambiente de trabalho, na faculdade, ou mesmo no clube que você freqüenta, algum paciente com distúrbio psíquico que passa desapercebido. Por quê? Porque essas pessoas podem levar uma vida normal. Por quê ninguém sabe? Porque essas pessoas sofrem com o preconceito.
É importante lembrar que a doença não é adquirida de forma hereditária, nem se pega pelo ar. Distúrbios psíquicos não são contagiosos! Segundo a psicóloga do Caps Gislaine Léa da Silva Mondelli, há um conjunto de fatores que podem levar uma pessoa a manifetar algum distúrbio. Ele pode se manifestar na infância ou adolescência, mas o mais comum é a manifestação já na idade adulta, entre 25 e 30 anos. No entanto, isso não é uma regra.
O preconceito e o isolamento dos portadores de doença mental são os principais adversários da Luta Antimanicomial. O paciente que faz tratamento no Caps tem tantas condições de viver normalmente quanto qualquer pessoa, mas o problema é se descobrem que ele faz tratamento. “O paciente passa no cardiologista, passa no gastro, no ginecologista. E quando ele está passando por esses especialistas, ele não tem problema mental. Mas é só ir buscar o medicamento, aí ele é louco, não pode, tem que sumir, tem que internar. Por quê? A hora que ele está sentado na sala de espera ninguém percebe, ele é igual aos outros”, destaca Sônia Lopes, terapeuta ocupacional do Caps.
É a partir desse tipo de comportamento exclusivista da sociedade que começa o isolamento e os problemas ficam mais graves para os portadores de distúrbios mentais. Bernadete de Oliveira Paula, gerente do Caps, completa, afirmando que quando a pessoa já passou por internação é ainda pior. “A internação estigmatiza muito o paciente. É uma marca que ele vai levar pelo resto da vida e é por isso que nossa missão é evitar o máximo a internação”, salienta.
A semana
A Semana de Luta Antimanicomial serviu justamente para quebrar alguns estigmas perante à sociedade, ou seja, mostrar que os pacientes com distúrbios psíquicos são capazes de conviver em perfeita harmonia com a sociedade, e que a internação é o último recurso a ser utilizado, além de ressaltar a necessidade de melhorar as condições da área de saúde mental no município.
Entre as atividades desenvolvidas nesta semana, foram realizadas palestras para os familiares, trabalho com a auto-estima dos pacientes, oficinas terapêuticas, apresentação do coral formado por usuários do Caps 1 e caminhada com panfletagem, entre outras. O objetivo de todas as atividades da semana foi justamente “desconstruir a loucura.