Indicadores da economia americana
O mercado mundial, integrado entre países e entre produtos, passou a obedecer a um jogo de pesos e contrapesos interessante.
Por exemplo, hoje em dia os olhos dos analistas estão voltados para a economia americana. Enquanto der mostras de estar enfraquecendo, a prioridade será a revitalização da economia, seja através da redução dos juros ou de estímulos fiscais. Os grandes investidores ficam de olho na valorização do dólar e no aumento das taxas de juros americanas, assim que a economia começar a reagir.
Quando chegar esse momento, haverá um movimento dos fluxos de capitais em direção ao dólar, enfraquecendo o euro (e melhorando a competitividade da economia européia), e reduzindo a especulação com commodities.
Repare, portanto, que um movimento condiciona vários outros. Daí a importância de se acertar o momento da reversão da economia americana.
*** Um indicador que o investidor não deve deixar de acompanhar é o PIB, que tem três divulgações, segundo explica a economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa. As duas primeiras são sempre revisadas e a última é o indicador final.
O CPI, que é o índice de preços ao consumidor, também deve ser acompanhado. Outro indicador importante é o PCE, o índice de preços ao consumidor.
Os indicadores do mercado imobiliário – epicentro da crise no mercado – também devem ser acompanhados de perto, diz Thais Marzola Zara, da Rozenberg e Associados
Quando começarem a mostrar sinais de estabilização é sinal de que se está chegando perto do fundo do poço. Os principais os indicadores de vendas de casas novas, vendas de casas usadas, alvarás para construção e índice de construção.
*** Outro grupo de índices com peso importante é os indicadores de confiança, como o divulgado pela Universidade de Michigan, que é quinzenal, e o Conference Board, divulgado mensalmente. “Como na economia americana praticamente 70% do PIB depende dos consumidores, esses índices são muito importantes”, aponta Inês.
O Conference Board acompanha os índices da economia norte-americana, dividindo em três grupos distintos: Índices Antecedentes (que antecipam os movimentos da variável principal), Índices Coincidentes (que retratam o momento atual da economia) e Índices Defasados (que mostram posteriormente um momento da economia).
*** Os investidores também devem estar atentos aos indicadores de atividade, como produção industrial, estoques e vendas no varejo. O grupo do mercado de trabalho, com Payroll e o índice de pedidos de auxílio-desemprego, divulgado semanalmente.
Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Evaldo Alves, números do déficit em transações correntes, do déficit fiscal, da inflação, endividamento externo e interno, e do nível de poupança também devem ser acompanhados para uma dimensão macro da economia americana.
*** Repare que, nesse jogo confuso, movimentos no mercado de moedas afetam o mercado de commodities agrícolas e minerais, que afetam a inflação em diversos países, que afetam as taxas de juros, que afetam as moedas.
Se o governo permitir que as contas correntes entrem no vermelho, cada soluço da economia mundial virará pneumonia no Brasil.
Mais petróleo
A Arábia Saudita anunciou a elevação da produção de petróleo em 300 mil barris diários, após o pedido de 50 de seus clientes – a maioria deles, dos Estados Unidos. Contudo, para os sauditas, a alta do preço da commodity não está relacionada com uma eventual escassez do produto, mas com o enfraquecimento do dólar e com motivos geopolíticos.
Olho no preço
O banco norte-americano Goldman Sachs também divulgou suas estimativas para o preço do petróleo no segundo mestre deste ano. Para a instituição, a commodity – que atingiu o patamar recorde de US$ 127 por barril - deve ficar em US$ 141 por barril nos seis meses finais de 2008. Para os bancos UBS e Merrill Lynch, o petróleo deverá ultrapassar a casa dos US$ 150 por barril.
BCE de olho na inflação
O Banco Central Europeu (BCE) não deve reduzir as taxas de juros nas próximas reuniões. O presidente do banco, Jean-Claude Trichet, afirmou que a instituição não pode “relaxar” na luta contra a inflação. Para ele, os preços estáveis são fundamentais para a manutenção do crescimento econômico. Neste mês, o BCE decidiu manter a taxa básica de juros da zona do euro em 4%.
Movimento da crise
Para o secretário norte-americano do Tesouro, Henry Paulson, a economia dos Estados Unidos está mais próxima do fim que do começo da crise. Ele apontou que o movimento de recuperação deverá se acentuar no segundo semestre deste ano e destacou o momento de “calmaria” nos mercados. Resta considerar qual o verdadeiro impacto da crise na economia.
Consumidor receoso
Enquanto Paulson mostra otimismo com relação ao momento da crise, os consumidores norte-americanos seguem com o sinal de alerta aceso. O incide de confiança do consumidor dos Estados Unidos medido pela Universidade de Michigan atingiu o menor nível desde junho de 1980, ficando em 59,5 pontos, contra 62,6 no mês passado.
Japão
Mesmo diante do cenário de turbulência internacional, a economia japonesa registrou crescimento de 3,3% ao ano no primeiro trimestre de 2008, puxada, principalmente, para as exportações para Ásia e emergentes, e pelo consumo interno. No ano fiscal de 2007, encerrado em 31 de março, o PIB japonês expandiu 1,5% em termos reais, mantendo o crescimento pelo sexto ano consecutivo.
Do blog www.luisnassif.com.br