O corpo da escritora Zélia Gattai Amado, que morreu anteontem aos 91 anos em Salvador, foi velado no cemitério Jardim da Saudade. A cerimônia de cremação deverá ser realizada hoje.
“Ela tinha vontade de ficar junto de meu pai”, disse João Jorge Gattai, filho da escritora e de Jorge Amado (1912-2001). Por isso, as cinzas de Zélia serão levadas para o jardim da casa onde os escritores viveram por mais de 20 anos, mesmo destino das cinzas de Jorge Amado.
A escritora estava internada desde o dia 16 de abril no Hospital da Bahia, onde passou por uma cirurgia no intestino da qual se recuperava. Nos últimos dias, o estado de saúde de Gattai se deteriorou.
Desde o ano passado Gattai passou por diversos períodos de internação. A escritora completaria 92 anos no dia 2 de julho deste ano.
Descrita pela revista “Forbes” como uma das mulheres mais influentes na área cultural no Brasil em 2006, Gattai escreveu “Anarquistas, Graças a Deus”, tendo como inspiração sua vida em São Paulo com os pais, os imigrantes italianos, Angelina e Ernesto Gattai.
A escritora conheceu Jorge Amado em 1945, quando trabalharam juntos no movimento pela anistia dos presos políticos. Durante anos, Zélia datilografou os textos originais do marido.
A escritora tomou posse da cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras(ABL) em maio de 2002, lembrando a trajetória pessoal e profissional do marido. Zélia foi eleita para ocupar a cadeira de Jorge Amado na ABL, que também já tinha sido ocupada por Machado de Assis (1839-1908). Em seu discurso de posse, que durou uma hora, Zélia falou de sua infância, das obras de Jorge e da amizade do marido com o político baiano Antônio Carlos Magalhães (1927-2007).