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Burocracia atrasa instalação de armadilhas contra a dengue

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

As 1.400 armadilhas para monitoramento eletrônico do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, ainda não foram oficialmente adquiridas pela Prefeitura de Bauru. Inicialmente, a previsão da administração municipal era instalá-las no mês passado. O projeto, no entanto, tropeçou na “velha e conhecida” burocracia.

Graças a ela, há meses as negociações se arrastam, sem que o contrato final seja assinado com a empresa de Minas Gerais, detentora da patente da tecnologia de capturar os insetos. Atualmente, resta apenas o envio de um documento da Fazenda mineira para que o processo de compra seja concluído. Segundo informações obtidas junto a Ecovec, cujo proprietário é bauruense, ainda nesta semana a prefeitura deve recebê-lo via correio.

Diferentemente de outras certidões, ela não pode ser obtida via Internet. Além disso, seria bastante específica e não constaria na relação de documentos, inicialmente encaminhada, informou a empresa. Segundo a reportagem apurou, assim que chegar em Bauru, o trâmite será finalizado. A expectativa da Secretaria Municipal de Saúde é instalar as armadilhas, que já estão na cidade (num imóvel situado na rua Gerson França), ainda neste mês.

O atraso também foi justificado pela administração municipal por tratar-se de um processo difícil, que prevê a inexigibilidade de licitação. Para tanto, a notória especialização da empresa, que não tem concorrência em solo nacional, demandou análise e confirmação da Secretaria de Negócios Jurídicos (SNJ). O valor do contrato é de quase R$ 198 mil por quatro meses.

O mesmo sistema foi instalado em municípios como Bastos e Presidente Epitácio, informa Flávio Tadeu Salvador, diretor da Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com ele, os resultados foram positivos.

De acordo com ele, as armadilhas exigirão mudança na forma de trabalho das equipes de agentes de controle de endemias, que serão treinados assim que o contrato for assinado. Na opinião de Salvador, mesmo nos períodos mais frios do ano, o monitoramento dos criadouros da dengue é mantido. Até porque, no ano passado, por exemplo, Bauru registrou infestação e transmissão da doença também no inverno.

O número de casos, porém, é maior no período chuvoso, especialmente no verão. Neste ano, 131 pessoas da cidade já foram infectadas com a dengue. No ano passado inteiro, o total chegou a 2.186 notificações.

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Aparelho prende mosquitos

Atualmente, o monitoramento dos criadouros do Aedes aegypti é feito por meio de larvas do mosquito. Com a implementação do Sistema de Monitoramento Inteligente da Dengue, ele passará a ser realizado com base em insetos adultos. A idéia é aprisionar as fêmeas, que não se distanciam muito de seus criadouros, mantidos por elas sempre no mesmo local.

Segundo Flávio Tadeu Salvador, diretor da Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, ela será atraída à armadilha (um recipiente preto com aproximadamente 20 centímetros de altura) por uma substância sintética, que a aprisionará. O monitoramento será feito por agentes de controle de endemias que, ao abrirem o recipiente, constatarão quantos insetos são machos e quantos são fêmeas.

Elas têm antenas lisas. Já a deles são pelosas. A informação deverão ser imediatamente cadastrada num celular, sendo que os dados são transmitidos on line a Minas Gerais e, provavelmente, ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). “Aparecem vários mapas, gráficos e tabelas. Com isso a análise será feita. Se tiver muitas fêmeas, terão muitos criadouros. Teremos de reduzi-los naquela região”, comenta.

Caso o trabalho não atinja o resultado esperado em 15 dias, por exemplo, o sistema indicará situações como a existência de um eventual criadouro ainda não localizado. O novo monitoramento também servirá como motivador aos agentes de controle de endemias, pois terão a possibilidade de acompanhar a eficiência de suas ações, explica. “Hoje é tudo muito subjetivo”, acrescenta Salvador.

Para o diretor de Vigilância Sanitária, a localização das armadilhas será definida pela própria empresa, com base em critérios técnicos. “É uma armadilha a cada 16 quilômetros quadrados. O proprietário da casa terá de autorizar a instalação do aparelho e não poderá deixar ninguém mexer”, conclui.

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