Polícia

Acusado de estupro quase é linchado no Bauru 2000

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Um pedreiro de 50 anos quase foi linchado no início da tarde de ontem no Núcleo Nobuji Nagasawa, o Bauru 2000. Ele foi apontado como o autor de um estupro a uma adolescente acontecido no início da noite da última sexta-feira. Quando a Polícia Militar (PM) chegou ao bairro, nenhuma pessoa foi flagrada agredindo o pedreiro, que estava bastante machucado. Na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), ele foi reconhecido pela vítima, mas negou que tenha estuprado a adolescente.

De acordo com o soldado Halex José Quirino, da Base Comunitária Leste, ele e o colega Uelbi Potenza do Amaral foram acionados pelo Centro de Operações da PM (Copom) para conter uma agressão na quadra 1 da rua Antônio Masceri. No local, os dois policiais, mais o soldado Hugo Palomo, da 4.ª Companhia da PM, que apoiou a ação, encontraram o pedreiro bastante machucado.

Os policiais apuraram que uma garota de 14 anos, que na última sexta-feira foi estuprada, reconheceu o pedreiro no momento que passava pela via com familiares. Ela teria começado a gritar. Pessoas que estavam nas proximidades se revoltaram e passaram a agredir o pedreiro.

Segundo o registrado pela polícia, na sexta-feira a garota seguia para uma igreja, por volta das 19h, quando foi abordada por um homem moreno, cabelos encaracolados e sem um dente da frente. Ele a teria levado a um terreno baldio próximo à casa dela e a teria estuprado. Familiares informam que a menina, que também foi espancada, teria permanecido cerca de duas horas com o agressor.

Com ferimentos, a adolescente conseguiu fugir do agressor e precisou ser encaminhada para a Maternidade Santa Izabel. Ontem à tarde, segundo o informado pelo soldado, quando a PM chegou ao endereço, não havia mais ninguém agredindo o suspeito. Ele foi levado ao Pronto-Socorro Central (PSC) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Sammu) e depois de medicado, foi liberado.

Os policiais levaram o pedreiro até a DDM. De acordo com o delegado Dinair José da Silva, titular da unidade especializada, foram colocados lado a lado o suspeito e quatro homens com características físicas parecidas. Até mesmo os curativos dos ferimentos foram reproduzidos nos outros “suspeitos”.

A vítima apontou o pedreiro como sendo o autor do estupro. “No reconhecimento, usando quatro homens semelhantes, a vítima apontou o suspeito sem sombra de dúvida”, observa o delegado. Ainda apresentando escoriações na face e bastante abalada, a garota preferiu não falar com a reportagem. Seu padrasto estava aliviado com a prisão do suspeito. “A Justiça tem que ser feita. A dor continua, mas sabendo que ele foi preso e que não vai mais fazer vítimas, já é um começo”, conta.

Mesmo com o reconhecimento, o pedreiro negava ter sido o autor do estupro. “Eu estou sendo acusado, mas sou inocente. Não sei o que aconteceu, nem porque ela está dizendo isso. Eu estava trabalhando”, disse. Dinair solicitou à Justiça a prisão temporária do pedreiro, que foi concedida no início da noite de ontem. “Agora teremos 30 dias para concluir o inquérito e verificar outras possíveis vítimas”, observa. A adolescente fez exame de corpo de delito, mas o Instituto Médico Legal (IML) ainda não emitiu laudo.

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