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Chiclete: um inimigo dos pássaros


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Quando criança, eu era apaixonada por chicletes. Mastigar algo que não se podia engolir era como uma brincadeira de balanço em que o movimento de vai e vem dava um enorme prazer, principalmente por não se chegar a lugar algum. Lembro que aprendíamos a retirar todo gosto da goma, mastigando, para então nos desfazermos dela substituindo-a pela doce alegria da novidade, contida em outro tablete colorido.

Há 3 décadas atrás, havia poucas opções de chicletes, mas já podíamos escolher entre sabores, cores, formatos e tamanhos. Quem não se lembra dos tabletinhos coloridos que despejávamos aos montes, na mão, loucos para formar, na boca, um chiclete só?

Nem sei bem ao certo, por que as crianças têm tanto fascínio pelas gomas de mascar. Sinceramente, eu achava que isso era coisa do passado, quando não tínhamos tantas possibilidades de consumir doçuras, quanto temos hoje. Mas, convivendo com Isadora e Carolina, minhas duas sobrinhas, eu percebo como o chiclete ainda faz um enorme sucesso. Hoje não consumo, mas compro para alegrar as meninas e também para vê-las fazendo aquelas bolas que crescem até certo ponto e depois estouram na cara, deixando engraçados vestígios grudentos.

Só que, apesar de todo lirismo até aqui narrado, os tempos de hoje exigem que cuidemos atentamente da sofrida natureza e até mesmo um mísero chiclete mastigado, torna-se um inimigo muito poderoso das aves.

Descubro isso com o coração partido e me sinto impelida a escrever para essa útil coluna do leitor, na tentativa de convencer pessoas sensíveis sobre a necessidade de cuidar do restinho do chiclete, antes de jogá-lo fora.

Quando alguém cospe o chiclete no chão, aquele restinho de goma é muito atraente para os passarinhos que, encantados com o perfume nela contido, vêm bicar e experimentar o “achado”, como se fosse uma agradável sobremesa. O problema é que esse chiclete fica grudado nos biquinhos, causando a morte das aves por falta de ar, impossibilidade de alimentação, engasgamento e até mesmo estrangulamento, fato que ocorre quando a pobre criatura luta em vão para desenroscar o bico.

Veja só, como podemos fazer tanto mal aos benditos e inocentes penadinhos, pelo simples fato de jogarmos o chiclete mastigado em qualquer lugar. Para evitar essa judiação, temos que ser conscientes e também ensinarmos as nossas crianças e embrulhar a goma de mascar em um pedacinho de papel, para protegê-la bem, antes de jogá-la no lixo.

Tantas notícias importantes circulando por aí e eu aqui, preocupada com restos de chicletes. Bem, esse é o meu sentimento e minha enorme responsabilidade em servir de voz para a natureza muda. Sei que as crianças podem compreender o meu apelo e com certeza, levarão esse hábito em frente se souberem o quanto podem prejudicar os passarinhos. Quanto a você, leitor, se tiver a bondade das crianças na alma, acredito piamente que também aprenderá a lição. Pois, “Deus, temendo a monotonia dos céus, encheu-o de adjetivos e a estes os homens chamaram de pássaros”.

A autora, Luciana Gonçalves, é profissional de telecomunicações

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