Política

Motoristas decidem parar coletivos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Os motoristas e cobradores do transporte coletivo urbano de Bauru decidiram ontem, em assembléias realizadas em três turnos ao longo do dia, rejeitar nova proposta das concessionárias e iniciar movimento grevista em 72 horas. Aprovada pela maioria dos presentes em assembléia, a decisão pela paralisação será notificada às empresas hoje. Com este calendário, a partir de sábado o sindicato mobiliza motoristas e cobradores para manter apenas 30% dos profissionais em atividade.

A assembléia do Sindicato dos Condutores em Transportes Coletivos (Sindtran) foi realizada nos turnos da manhã, tarde e noite de ontem, totalizando a participação de 439 profissionais do setor. A maioria optou pela rejeição à proposta de piso salarial de R$ 1.030,00, mais tíquete de R$ 150,00. Em síntese, os trabalhadores exigem salário de R$ 1.080,00, tíquete de R$ 150,00 e R$ 500,000 como participação nos lucros, a serem pagos em duas vezes. Na etapa noturna da assembléia, dos 80 profissionais inscritos, 52 votaram pelo início do movimento grevista e 28 foram contra.

A decisão pela paralisação tem apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que, como ontem, compareceu à assembléia para se engajar no movimento. O representante das concessionárias, José Edson Alves, acompanhou a reunião de ontem à noite. Segundo ele, a associação que reúne as empresas (Transurb) vai aguardar a notificação da decisão tomada ontem pelo sindicato para avaliar quais medidas serão tomadas e “para buscar a garantia do serviço público essencial à população”. Alves conclama o sindicato e a categoria a pensarem com abrangência pública uma possível greve. "Trata-se do transporte de milhares de trabalhadores diariamente, que não têm outra forma de se locomover. Nossa proposta é boa e representa ganhos aos funcionários", afirma.

Conseqüências

Do ponto de vista legal, as concessionárias avaliam o cumprimento dos requisitos mínimos para decisão pela paralisação dos serviços, como publicação de edital específico para assembléia de votação pela aprovação ou não da greve com três dias de antecedência e quórum mínimo exigido. O sindicato advertiu ontem pelo cumprimento das exigências previstas em lei, a convocação da assembléia e a garantia de pelo menos 30% dos profissionais atuando nas ruas.

As negociações entre Sindtran e Transurb resultaram no oferecimento inicial de reposição salarial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 5,9%, e elevação do tíquete-alimentação dos atuais R$ 100,00 para R$ 150,00, além de outras cláusulas como os serviços em dois turnos, ao invés dos três atuais. O sindicato exige, em uma extensa lista de itens sociais e econômicos, reivindicações como participação nos lucros de R$ 500,00 e aumento real de 5%.

Na rodada de negociações anterior à de ontem, as concessionárias apontaram que não haveria margem para ampliação da oferta. Na avaliação das empresas, o que foi oferecido até agora provoca majoração no custo da passagem comum dos atuais R$ 1,75 para algo no patamar de R$ 1,85 a R$ 1,90, sem a incidência do aumento de outros insumos.

Mas na visão do sindicato, mesmo com a pauta mínima negociada, mais 5% de aumento real e a inclusão do aumento do óleo diesel, a tarifa teria seu custo posicionado próximo de R$ 1,85 em Bauru.

A posição da categoria foi tomada ontem após verificação da proposta final das concessionárias levada ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Com a decisão pela greve, o sindicato leva a discussão para o dissídio coletivo no Judiciário Trabalhista.

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