Regional

Cadeias da Seccional de Botucatu abrigam 549 presos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Mais uma tentativa de fuga da Cadeia Pública de Botucatu levanta o problema da superlotação da carceragem e reforça o apelo por um Centro de Detenção Provisória na cidade (100 quilômetros de Bauru). Pedaço de concreto encontrado em marmitex recolhida de um xadrez alertou os carcereiros, que fizeram uma busca e localizaram um buraco sendo escavado na cela, domingo de manhã.

A tentativa de fuga ocorreu na cela 7, onde mais de três quilos de concreto foram escavados da parede de um banheiro, formando um buraco por onde 20 homens planejavam escapar. O buraco já foi tapado.

O delegado seccional de Botucatu, Tadeu Campos de Castro, alerta que o problema da superlotação na cadeia de Botucatu, com 227 presos ocupando espaço dimensionado para 60 homens em dez celas numa relação de 20 pessoas por xadrez, é insustentável, mas não exclusivo. A Seccional de Botucatu também é responsável pelas cadeias de Conchas, São Manuel, Itatinga e Porangaba. Todas estão com lotação muito acima do limite. Juntas, as cadeias, que devreiam abrigar 370 detentos, hoje abrigam 549, 179 a mais que a capacidade normal.

No caso específico de Botucatu, o delegado explica que um dos fatores para a superlotação é a situação emergencial de recebimento de detidos da região de Itapetininga e a falta de um CDP em Botucatu.

“Tem superlotação porque estamos segurando presos de Itapetininga porque a maioria das cadeias daquela região está desativada”, acrescenta.

Situação de risco

O secccional avalia que a situação de risco irá persistir até a inauguração de um CDP na região de Itapetininga, que estaria em fase de acabamento.

Castro tem conseguido enviar presos para CDPs de Bauru, Piracicaba, Campinas e Ribeirão Preto, porém não em número suficiente para desafogar a microrregião. No entanto, a solução é a instalação de um Centro de Detenção em Botucatu. Há mais de dois anos, Castro lembra que vem pleiteando junto a autoridades de Botucatu e da microrregião a construção de um CDP. “Toda cidade onde existe CDPs, como Bauru, acabou o problema de fuga. O CDP de Bauru está em atividade há quase três anos e não houve uma fuga e nem morte”, argumenta.

A localização da cadeia de Botucatu, no quadrilátero das ruas Salvador Benedito Galvão, Major Moura Campos, Capitão Andrade e Professor Vágner, no bairro Alto, também causa o sentimento de insegurança na população. O temor está latente mesmo estando a carceragem anexa à Delegacia Secccional e ao lado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

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Desumano

Botucatu - Para o delegado seccional de Botucatu, Tadeu Campos de Castro, a carceragem da cidade apresenta condições desumanas para abrigar os presos. “A cadeia de Botucatu é uma questão de saúde pública. Dependendo da situação, são de 20 a 25 homens por xadrez.”

Neste aperto, o seccional alerta para o risco de contágio de presos por doenças, situação agravada ainda mais no período de frio (outono-inverno). “Tem preso tuberculoso e com problema respiratório”, explica.

Não há como remanejar presos para outras cadeias públicas da microrregião de Botucatu. A carceragem de São Manuel está superlotada, com as 50 vagas tomadas por 165 presos, o triplo da capacidade. Até em Porangaba, onde ficam presos chamados de administrativos, como aqueles detidos por falta de pagamento de pensão alimentícia, a capacidade foi extrapolada.

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