Política

MPT tentará evitar greve amanhã

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Os trabalhadores do transporte coletivo urbano de Bauru e as concessionárias vão se reunir nesta sexta-feira, às 10 horas, para audiência de mediação convocada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O procurador do Trabalho Marcus Vinícius Gonçalves disse ontem que vai ouvir a pretensão das partes para buscar acordo que impeça a deflagração de greve.

A paralisação foi aprovada em assembléia do Sindicato dos Condutores (Sindtran) na última terça-feira. A maioria dos trabalhadores decidiu que o sindicato notifique as concessionárias associadas à Transurb para o início do movimento de paralisação em 72 horas, contados desde anteontem.

Na avaliação do procurador do Trabalho, a audiência de mediação busca resolver o impasse. “Vamos intensificar o debate em torno da pretensão das partes e buscar evitar a greve. A paralisação de um serviço essencial, que atende a milhares de trabalhadores no dia-a-dia, teria efeitos danosos para a população”, comentou Gonçalves.

O Procurador entende que há espaço para impedir a paralisação do serviço. “Na mesa redonda o sindicato resolveu não aceitar a terceira proposta da empresa e vamos discutir todos os pontos. O que não se pode é partir para a discussão de greve sem levar em conta os prejuízos à comunidade”, disse.

A procuradoria não concorda com a fixação de 30% dos trabalhadores nas ruas, caso a greve seja confirmada. “Vamos discutir algo que evite prejuízos à coletividade e em se tratando de transporte coletivo acho 30% muito pouco. Qualquer discussão sobre greve não pode ser colocada com menos que a metade dos trabalhadores garantindo o serviço”, opinou.

Na audiência de mediação, a Procuradoria vai intensificar as discussões econômicas e de condições de trabalho. “Temos situações a serem resolvidas, como o garantia de acesso a banheiros e água potável aos trabalhadores, a verificação da jornada de dois turnos e outros pontos. Sobre questões econômicas, o sindicato não aceita 6,5% de reposição, acima do índice de inflação no período que é de 5,9% pelo INPC, mais tíquete de R$ 150,00. E as empresa alegam, de sua parte, que já atingiram o limite de oferta e rejeitam negociar participação nos lucros, nunca aplicada em Bauru, e aumento real. Há espaço para cada parte ceder um pouco em favor da comunidade”, avaliou Marcus Vinícius.

A Transurb comentou ontem que está realizado avaliação jurídica sobre o resultado da assembléia de anteontem para tomar providências, sem prejuízo da participação na audiência de mediação desta sexta-feira. “Queremos evitar a paralisação porque a população é que é prejudicada”, disse José Edson Alves.

O Sindtran foi contatado três vezes por telefone ontem, em sua sede, mas seus representantes preferiram não comentar o assunto. A Prefeitura de Bauru anunciou medida judicial contra a paralisação dos ônibus coletivos.

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