Economia & Negócios

Fazer refeições fora de casa já está até 20% mais caro

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Quem tem o hábito de fazer refeições fora de casa já está pagando até 20% mais caro pela comodidade de ficar longe do fogão. De acordo com levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) realizado entre a segunda semana de abril e início de maio, muitos restaurantes e churrascarias já reajustaram os preços em relação ao começo do ano. A pesquisa leva em consideração somente a alimentação feita fora de casa.

Alguns dos produtos responsáveis pelos reajustes foram o arroz, feijão, carne bovina, trigo e frango. A situação deverá piorar nos próximos meses e os preços devem estagnar somente em outubro ou novembro, segundo projeções da pesquisa. Estudantes e viajantes serão os principais prejudicados pelo aumento.

Em Bauru, a situação não é diferente. Para não arcar com o prejuízo dos aumentos de preços dos alimentos, estabelecimentos comerciais já repassaram os reajustes para os consumidores.

Em um dos restaurantes consultados pela reportagem do Jornal da Cidade, o proprietário José Alcântara Machado Júnior afirma que a situação está “horrível”. A caixa de tomate, por exemplo, saltou de R$ 18,00 para R$ 42,00. O preço da comida servida por quilo no estabelecimento subiu de R$ 14,90 para R$ 16,90. De acordo com Machado, a situação deve piorar com a estiagem e os preços devem decolar. Mesmo com o reajuste, ele não tem do que reclamar. “O movimento, sinceramente, continua o mesmo”.

Em outro estabelecimento consultado, o reajuste deverá ficar em torno de 10%. A proprietária Cláudia Tiritan Marconi pretende aumentar os valores a partir de junho. “Serei obrigada a fazer isso, pois os alimentos subiram demais”, justifica. O restaurante serve comida no local, marmitex e por quilo, mas somente esta última opção deve sofrer alta de preços, passando dos atuais R$ 13,90 para R$ 14,90 o quilo.

Alternativa

Segundo o economista Reinaldo Cafeo, o “inchaço” nos preços ocorre em virtude da demanda mundial por alimentos. No caso específico do Brasil, o reajuste é intensificado pela estabilidade da renda dos cidadãos. “Há também um pouco de especulação, pois parte das commodities que tiram o preço internacional estão sendo especuladas pelo investidor”, observa.

A melhor saída para o consumidor escapar dos aumentos é optar por produtos de marcas menos conhecidas no supermercado. O preço de um saco de arroz de cinco quilos pode variar de R$ 3,20 a R$ 7,40. “Sempre que for possível, deve-se preferir uma marca inferior ou a substituição natural dos produtos”, adverte o economista.

Público-alvo de restaurantes, bares e lanchonetes, os estudantes devem diminuir o uso do telefone celular e até mesmo de veículos para compensar o gasto. “Isso porque o estudante precisa sacrificar outros setores do seu orçamento para equilibrar as finanças.” Segundo o economista, o aumento nos preços dos alimentos deve se arrastar até o final do ano.

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Mercado internacional

Ao contrário do que muitos pensam, o mercado internacional também influencia os preços praticados em território nacional. Atualmente, são alvos diretos dessa relação o milho e o trigo. No primeiro caso, isso ocorre pela opção americana de produzir etanol a partir do grão.

Em relação ao trigo, o racionamento argentino é o grande vilão. “No caso específico do trigo, houve uma desoneração fiscal. Na medida em que há reabastecimento, se o preço não diminuir, também não irá aumentar”, explica o economista Reinaldo Cafeo.

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