Tribuna do Leitor

Senac - Eu também estive lá, professor Carlos Alberto Alves Neves


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Também iniciei nesta magnífica escola no curso preparatório, só em ano diferente, 1965. Trabalhando no comércio (Ótica e Relojoaria Exata) desde os 12 anos de idade, sem pressão da família, por conta própria, matriculei-me no extinto 5.º ano preparatório aos 14 anos de idade, período noturno. Tenho também muito orgulho de ter como mestres esses magníficos (alguns) professores, como o prof. Albino Tâmbara, Kuneo, Walter, Terezinha Pinheiro Brizola, Olívio, Tidei de Lima, e outros que por ora não me recordo. Participei de três olimpíadas interescolares no comando do professor Arione. Nossa cartilha era elaborada pela esquecida mestra das mestras, profa. Debhora de Pádua Mello, com seu livro de questionário, de português e de matemática, de muito fácil aprendizado, hoje é tudo diferente, acho muito complicado. Tenho saudades das aulas de datilografia onde as teclas eram todas pintadas de preto, tínhamos a obrigação de usar todos os dedos, nada de catar milho.

Minha carreira escolar foi interrompida quatro anos após, quando terminava a 3.ª série ginasial, o País passava por momentos críticos com a ditadura militar, o dever patriótico falou mais alto, como já citei nesta mesma Tribuna do leitor, fui para o Rio de Janeiro alistar-me na Brigada Pára-quedista como voluntário.

Esta interrupção durou até o ano de 1984, quando havia perdido a família (separação) devido ao alcoolismo crônico, queria dar a volta por cima, deixei o alcoolismo, o tabagismo, com o histórico escolar, avaliação médica, dirigi-me a Escola Preve, onde fui recusado, alegando a mesma que eu deveria repetir novamente a 3.ª série (hoje 7.ª série), pois o MEC não aceitava aquele curso comercial. Que falta de consideração com a Escola Senac, para com nossos mestres, que formaram muitos ilustres bauruenses, como o sr. professor Carlos Alberto.

Indignado com o fato, injustiçado não questionei, aborrecido pela situação, desisti da idéia, pois não achava justo aquela repetência, prometi a mim mesmo, nunca mais voltar a uma sala de aula, hoje aposentado há 12 anos, venci pela coragem e determinação, pois o pouco que estudei no Senac foi o suficiente para ingressar na Volkswagen do Brasil, onde vim a aposentar-me.

Hoje estou matriculado no EJA aos 58 anos de idade, para que pelo menos tenha um certificado, sei que não servirá mais para nada, mas pelo menos vai melhorar minha gramática, pois o redator deste abrangente Jornal (Tribuna do leitor) dá-me a oportunidade de questionar e repudiar todas as injustiças que aconteceram comigo e os descasos que nós bauruenses sofremos com os políticos que não merecemos, nem em placas de logradouros públicos futuramente.

Luiz Tadeu Machado - RG 5.355.467

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