A leve e incômoda neblina observada em vários pontos de Bauru anuncia o começo da temporada de queimadas. Com tantos focos de fumaça e fogo, o ritmo de trabalho no Corpo de Bombeiros já aumentou. No entanto, está longe de refletir o período crítico, ainda por vir. Mesmo assim, consultórios particulares lotados de crianças com problemas respiratórios servem de alerta. Iniciativas simples podem amenizar as conseqüências do ar seco decorrente da falta de chuva.
Segundo dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a última precipitação significativa foi registrada no dia 2 desse mês, portanto há 21 dias. Na ocasião, a chuva acumulada foi de 32,3 milímetros de água – índice considerado alto para uma única data. De lá para cá, choveu apenas 1,9 milímetro, somando o índice de três dias diferentes.
O clima seco, porém, é típico neste período do ano, observa o meteorologista do órgão Fernando de Almeida Tavares. “A umidade do ar pode chegar a 30% no meio da tarde”, informa. Neste percentual, o estado já é de atenção, segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O índice registrado anteontem foi de 44%.
Acidentes
O clima seco já favorece acidentes, como o registrado anteontem no Jardim Europa. Para evitar outras ocorrências, o tenente do Corpo de Bombeiros Claudio Augusto Antunes da Silva orienta a população a não colocar fogo em terreno com o intuito de limpá-lo. “É preciso mantê-los limpos, com a grama cortada para evitar um incêndio acidental que traga risco às residências”, explica.
Neste período, até mesmo uma bituca de cigarro pode resultar em muito trabalho aos bombeiros. Se atingir vegetação seca, pode provocar grandes labaredas. “As pessoas também devem evitar fazer montes de folhas e não recolhê-las. Outra pessoa pode passar pelo local e atear fogo, que pode passar para casas, fábricas ou carros. Na estrada a fumaça prejudica a visibilidade, é muito perigosa”, comenta.
Tóxica, ela ainda contribui para o aumento de problemas respiratórios, especialmente para as crianças. Muitas mães recorrem ao próprio resgate para levá-las aos prontos-socorros. Em relação aos focos de incêndio, a corporação já atende cerca de 12 ligações ao dia.
A expectativa é que o número chegue a 20 nos períodos mais críticos. Nesta fase, o trabalho dos bombeiros é ainda mais árduo porque as áreas atingidas normalmente são maiores, sendo mais difícil o controle das labaredas. Atualmente, a equipe consegue debelá-las em aproximadamente 20 minutos. “Já recebemos bastante chamadas. Elas são bastante diversificadas, mas tem mais no Jardim Europa”, conclui o tenente.
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Qualidade do ar
A estação medidora de qualidade do ar da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) deve ser inaugurada em 13 de junho. Ela já está instalada na unidade do Corpo de Bombeiros da Vila Falcão, onde passa por testes.
“Foi o pessoal da própria Cetesb que escolheu o local. Não podia ser nem o mais, nem o menos crítico”, explica Francisco de Lima, gerente interino da agência.
De acordo com ele, sem chuva, o ar fica cheio de material particulado (poeiras e resíduo de fuligens da queimada, por exemplo). Quando o equipamento estiver plenamente funcionando, a medição da qualidade do ar será constante, mas Lima ainda não sabe quantos boletins serão divulgados por dia.