Um problema que já dura cinco anos está tirando o sono de muitos proprietários de fazendas na estrada municipal que liga Presidente Alves a Gália (45 quilômetros de Bauru). O local é constantemente alvo de furtos de fios de cobre e, na última ação, ocorrida na semana passada, o prejuízo chegou a R$ 10 mil.
Receber uma ligação informando que sua propriedade está sem energia elétrica basta para o comerciante Irineu Vital dos Santos Filho ficar em estado de alerta. Ele possui uma fazenda no condomínio, que tem mais 16 imóveis, e afirma que o primeiro furto ocorreu em 2003. Nos últimos 15 dias, ele informa que o local já foi alvo de três furtos. “E, dessas três últimas vezes, duas foram na minha propriedade”, reclama.
Os caseiros também são afetados pelo problema, uma vez que perdem alimentos na geladeira. Vacinas de gado também são afetadas. “Ainda bem que ali não tem uma granja, por exemplo. Já pensou se o camarada precisa de energia 24 horas?”, indaga.
Dificuldade de acesso
Constatados os furtos, a Polícia Militar de Presidente Alves admite a dificuldade de flagrante. O principal agravante, segundo o soldado Alexandre Paulino, é que o local fica a quase 15 quilômetros da base policial localizada na cidade, dificultando o acesso ao condomínio. “A polícia tem o serviço preventivo, mas o nosso efetivo é reduzido e não podemos deixar a cidade abandonada para ficar empenhada somente lá”, avisa. Após as ocorrências, o patrulhamento foi intensificado. A chamada ronda rural dá prioridade para as fazendas alvos de furtos.
O comandante da PM de Presidente Alves, Flávio Fernando Picoloto, afirma que a distância é o principal entrave para a ação do órgão e que o patrulhamento foi intensificado na região. A suspeita, segundo ele, recai sobre moradores de cidades vizinhas. Para tentar surpreender e conter a ação dos indivíduos, a tática é vistoriar o local em horários alternados. “Acredito que sejam pessoas de Gália e Cabrália Paulista”.
De acordo com o comerciante Irineu Vital dos Santos Filho, a CPFL Paulista não assumiu a responsabilidade dos fios elétricos na região após a privatização da empresa. Segundo Santos, isso ocorre pelo fato da arrecadação da companhia no condomínio ser baixa. Em contrapartida, os custos com manutenção seriam elevados. A reportagem do Jornal da Cidade entrou em contato com a assessoria de imprensa da CPFL, porém o responsável pela área não retornou o contato até o fechamento desta edição.