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Jefferson Péres morre aos 76 anos

Por Da Redação | Com AE e Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Vítima de um enfarte fulminante, o senador Jefferson Péres (PDT) faleceu por volta das 6h10 da manhã de ontem, em sua residência, no bairro Adrianópolis, na Zona Centro-Sul de Manaus. Ele morreu ao lado da mulher e de dois filhos. Péres não tinha netos. O terceiro filho do parlamentar estava nos Estados Unidos a passeio.

Por meio da assessoria de imprensa do parlamentar, a esposa do senador, juíza aposentada Marlídice Péres, 60 anos, contou que o senador acordou no horário habitual, por volta das 5h30, fez a barba, tomou banho, tomou café e desceu as escadas de sua casa, de dois andares, para desligar as luzes do jardim. Ele não fez a costumeira caminhada ao redor da piscina de sua residência, exercício que praticava todas as manhãs, quando estava em Manaus Em Brasília, ele também mantinha o hábito.

Ao retornar para seu quarto, a esposa do parlamentar afirmou que Péres sentou na cama e reclamou de uma forte dor no peito. “Estou passando mal”, teria dito. Marlídice Péres chamou os dois filhos que estavam em casa, Ronald, 39 anos, e Roger, 34 anos, e ligou para o médico da família, César Cortez. “Ele era hipertenso arterial. Teve enfarte agudo fulminante que causa parada cardíaca e respiratória”, explicou o médico, que, quando chegou à residência do casal, já encontrou Jefferson Péres morto, deitado em sua cama.

Peres era professor e advogado, com longa carreira de vereador em Manaus. Ele ocupava vaga no Senado desde 1995, e exercia seu segundo mandato de senador. O corpo do parlamentar só deve ser enterrado hoje, já que um filho mora no exterior. Ele será enterrado em Manaus.

Lula lamenta

Em nota divulgada ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte de Jefferson Pere e afirmou que é uma grande perda para o Brasil.

“Recebi com tristeza a notícia do falecimento do senador Jefferson Peres e transmito à sua família meus sentimentos. Jefferson Peres foi um político que sempre pautou suas ações pela defesa intransigente da democracia e da ética. Sempre procurou guiar-se pelo que julgava ser o interesse público, mesmo nos momentos de divergências com o Governo. É uma grande perda para o Brasil, para a Amazônia e para o Senado brasileiro”, diz Lula na nota.

Luta pela democracia

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), lamentou a morte de Jefferson Peres ao lembrar que nenhum representante do Poder Legislativo lutou tanto pela democracia do país quanto Peres. Visivelmente abalado, Garibaldi abriu a sessão plenária do Senado da manhã de ontem para comunicar os senadores da morte de Peres.

Garibaldi lembrou o histórico do pedetista, especialmente no que diz respeito à luta pela recuperação da imagem ética do Poder Legislativo. Segundo o presidente do Senado, Peres era um “senador baixinho, pequenininho, mas que se agigantava na defesa dos seus ideais, na defesa dos valores da democracia”.

O senador disse que a Casa Legislativa lamenta a sua perda, mas ele, em especial, está em “choque” com a notícia recebida esta manhã. “Lamentamos sua perda, principalmente eu que, na minha modéstia ao assumir a presidência do Senado, tive nele alguém que sempre me estimulou na lua pela recuperação pela credibilidade do Legislativo”, disse.

Garibaldi afirmou que os senadores “vão continuar vigilantes, lutando cada vez mais pelo Poder Legislativo e o Senado” na memória de Peres. “Jefferson Peres, Vossa Excelência foi um grande lutador. Só podemos dizer que temos o dever de lutar na hora em que você não vai mais poder lutar como lutava”, enfatizou.

O presidente do Senado lembrou que, na última quarta-feira, Peres chegou a fazer um discurso no plenário da Casa sobre o tema que mais lhe era familiar: a defesa da Amazônia brasileira. O senador disse que Peres aparentava estar muito saudável, por isso considerou uma “fatalidade” sua morte precoce.

Surpresa

A notícia da morte de Peres pegou de surpresa os senadores que estavam em Brasília ontem.

A sessão plenária foi dedicada a discursos de homenagem ao pedetista.

Líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto acompanhou Péres em sua última viagem de Brasília para Manaus. Segundo Arthur Virgílio, durante o vôo os dois conversaram sobre política, filmes e literatura.

“Foi um nome que o Amazonas doou para o País. Uma referência de ética e de moralidade”, lamentou o senador Arthur Virgílio Neto.

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