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Unasul: América do Sul está disposta a ajudar na crise alimentícia, diz Lula

Folhapress
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Brasília - Em discurso na cúpula da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a América do Sul está disposta a encontrar soluções para a crise alimentícia mundial, mas desde que tenha autonomia para agir de forma “soberana” na região.

Lula disse que os que se sentem “incomodados” com o crescimento da indústria e da agricultura sul-americanas e brasileiras muitas vezes são movidos por interesses “protecionistas”.

“Quando a escassez de alimentos ameaça a paz social, em muitas partes do mundo, é em nossa região que muitos vêm buscar respostas. Temos consciência das nossas responsabilidades globais, mas não abrimos mãos de exercê-las de forma totalmente soberana. Não nos deixamos iludir tampouco pelos argumentos daqueles que, por interesses protecionistas ou motivações geopolíticas, se sentem incomodados com o crescimento de nossa indústria e agricultura”, afirmou.

Na opinião de Lula, a “América do Sul unida mexerá com o tabuleiro do poder no mundo, não em benefício próprio, mas de todos.”

Durante a reunião da cúpula, doze chefes de Estado da América do Sul assinaram o tratado de criação da Unasul. O tratado confere ao bloco de países personalidade jurídica, no formato de organização internacional.

Lula afirmou que a União das Nações Sul-Americanas poderá fortalecer os países da região frente às nações desenvolvidas. “Estamos transformando em realidade o sonho integrador dos nossos libertadores. O tratado nos lembra que a integração sul-americana é essencial para o fortalecimento da América Latina e Caribe. Nasce sobre o signo do pluralismo”, disse.

A Unasul foi constituída oficialmente ontem, durante reunião de cúpula com a presença de representantes e chefes de Estado de doze países da região, em Brasília. No encontro, os chefes de Estado assinaram o tratado de constituição da Unasul, que cria uma espécie de “bloco” de países da América do Sul.

Defesa

No discurso dirigido aos chefes de Estado da América do Sul, Lula defendeu a criação de um Conselho de Defesa da Unasul. Apesar da resistência colombiana à proposta, Lula disse que consultou os países que integram a comunidade para que a medida seja discutida durante a reunião de cúpula.

“É hora de fortalecer nosso continente na área da defesa. Devemos articular uma visão de defesa na região fundada em valores e princípios comuns, como o respeito à soberania. Por isso, determinei ao meu ministro da Defesa para que realizasse consulta com todos os países da América do Sul sobre o conselho sul-americano de Defesa. Creio que devemos discutir essa iniciativa aqui”, defendeu.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, argumentou que a região já conta com a OEA (Organização dos Estados Americanos) e aludiu às divergências com países vizinhos, entre os quais o Brasil e a Venezuela, em torno da classificação de grupos armados ilegais como “terroristas”, principalmente as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Lula nega fracasso

O presidente Lula negou ontem que tenha fracassado a proposta de criação de um Conselho de Defesa na América do Sul, a ser criado no âmbito da Unasul. Lula disse que um acordo que envolve diversos países precisa de tempo para ser analisado por cada nação.

Durante reunião de cúpula da Unasul ontem, os chefes dos países sul-americanos decidiram criar um grupo de trabalho para analisar em 90 dias a proposta do governo brasileiro de criação do Conselho de Defesa. Após o grupo analisar o tema, a proposta será rediscutida com os chefes de Estado que vão analisar sua viabilidade de implementação.

Lula explicou que, ao pedir para o ministro Nelson Jobim (Defesa) discutir a criação do conselho com os países sul-americanos, tinha como objetivo apenas “abrir a primeira discussão” sobre o tema. “Temos alguma coisas que levar em consideração. Nós temos a questão da Amazônia, do Pacífico, do Atlântico, o mar do Caribe. Precisamos ter o nosso setor de defesa pensando conjuntamente. Isso só será possível se criarmos o instrumento, que é o conselho”, explicou.

A presidente Michelle Bachellet (Chile) defendeu a criação do conselho com o argumento de que o órgão terá condições de normatizar ações para a região, como a intervenção militar no Haiti. “Me parece positivo que países da Unasul tenham projetos de cooperação nessa área. Vamos combinar as capacidades. Há elementos que cada país considera como oportuno. Queremos fechar o grupo de trabalho com tarefa concreta”, afirmou.

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