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Editoras prevêem aumento nas vendas e no custo da reedição

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A aprovação do acordo ortográfico, que unifica a forma como é escrito o português nos países lusófonos pode ampliar a utilização da língua portuguesa no mundo e melhorar os índices de leitura nos países que falam o idioma, na avaliação do presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Godofredo de Oliveira Neto.

Segundo ele, as mudanças vão contribuir para a abertura de mercado, tanto para as editoras portuguesas quanto para as editoras brasileiras. Por outro lado, deve representar um custo extra por conta das atualizações que deverão ser feitas nos livros reeditados.

De acordo com o editor da Editora da Universidade do Sagrado Coração (Edusc), José Jobson de Andrade Arruda, 66 anos, esse custo extra deverá ser repassado para o consumidor, ou seja, os livros reeditados ficarão mais caros que os similares já lançados.

Segundo ele, o texto terá de ser encaminhado novamente para o revisor para que ele faça as correções necessárias, de acordo com as novas regras que devem entrar em vigor já a partir do próximo ano.

De acordo com o coordenador executivo da Edusc, Rubens Loureiro Neto, 41 anos, os livros que já estavam com seus custos diluídos, ou seja, que já haviam sido pagos, terão uma nova despesa. Isso forçará a editora a tirar de catálogo títulos que vendem pouco. Se alguns desses títulos tiverem de ser reeditados, a baixa vendagem não conseguiria cobrir a despesa com a revisão. “Se um determinado título vende 15 exemplares no ano, não vale a pena investir nele”, explica. Atualmente, a editora tem 350 livros lançados.

Com a aprovação do acordo pelos portugueses, a Edusc decidiu fazer seus próximos lançamentos já dentro das novas regras. Embora a revisão só valerá a partir de janeiro de 2009, Jobson diz que não tem razão lançar um livro com as regras atuais e no ano que vem ter novas despesas para fazer as modificações.

Segundo o editor, os livros da Edusc que serão expostos na Bienal do Livro de São Paulo, em agosto, contarão com as mudanças que entrarão em vigor em 2009.

Se para as editoras as mudanças significarão mais despesas, para os revisores representará mais trabalho e dinheiro no bolso. A revisora Angela Moraes, 27 anos, acredita que no início as modificações causarão um certo estranhamento. Na opinião dela, as mudanças não serão muito sentidas pelos brasileiros porque serão poucas. A dificuldade maior ficará para os portugueses, que terão mudanças mais drásticas e em maior quantidade.

Embora pequenas, as mudanças poderão se transformar em armadilha para os revisores. “Vamos ter de ficar atentos (na revisão de obras já publicadas) porque pode acontecer de uma palavra passar despercebida. A vida inteira escrevemos ela de um jeito e de repente muda a grafia. Vai ser preciso muito cuidado”, prevê.

Angela trabalha como revisora há seis anos. Durante esse tempo, revisou cerca de 25 livros e dezenas de trabalhos acadêmicos, artigos científicos, monografias, dissertações e teses.

Segundo o acordo, a norma escrita em Portugal terá 1,42% das suas palavras modificadas, enquanto no Brasil apenas 0,43% das palavras serão alteradas. Para os portugueses, caem as letras não pronunciadas, como o “c” em acto e director, o “p” em Egipto e óptimo.

Os defensores das mudanças alegam que a padronização facilitará buscas na Internet e uniformizará termos jurídicos para a elaboração de contratos internacionais. Além disso, o governo português tem a esperança de que, com a padronização, o idioma finalmente se torne uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU). Atualmente, a ONU tem seis idiomas oficiais: o árabe, o espanhol, o francês, o inglês, o mandarim e o russo.

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