O ambiente familiar é fator mais determinante para o desenvolvimento de uma personalidade criminosa do que as questões biológicas, na opinião do psiquiatra Marcus Vinicius Franco, 29 anos, que trabalha no Ambulatório Municipal de Saúde Mental, em Bauru.
Para ele, essa influência fica muito clara quando se analisam os estudos feitos com gêmeos idênticos que, por alguma razão, cresceram em ambientes totalmente diferentes. Nota-se que quanto mais precárias são as condições de vida, maiores são as chances do indivíduo tornar-se um criminoso.
No entanto, ele lembra que isso não significa que não existem criminosos também em ambientes aparentemente equilibrados, onde há carinho, afeto e boa educação. “Existem casos de pessoas que vivem em famílias consideradas padrão e isso não o impede de tornar-se um psicopata”, pondera Franco.
Ele lembra do caso Suzane von Richthofen, que pertencia a uma família de classe alta e aparentemente tinha todas as condições de viver uma vida tranqüila, mas foi presa acusada de matar os pais, em outubro de 2002, com a ajuda dos irmãos Cravinho. “Não sei como era o relacionamento dela com os pais, mas foi um crime que surpreendeu”, diz.
De acordo com Franco, os dois fatores, biológico e social, têm grande importância na definição de uma personalidade violenta e criminosa, mas é muito difícil dizer a influência de cada um.
“A única certeza que temos é que a junção desses dois fatores, predisposição genética e meio familiar, aumenta muito a chance do surgimento de um psicopata”, afirma. “É como se existisse um pavio e alguém fosse lá acender”, compara.
Em sua opinião, a predisposição genética, por si só pode não ter muita influência no desenvolvimento da personalidade anti-social. Mas isso associado a um ambiente hostil pode resultar em algo “explosivo”.