Cultura

Vestindo histórias

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

São mais de 15 anos vestindo personagens do teatro, da TV e agora, das telonas. No currículo, ao lado da assinatura de trajes das conhecidas figurinhas do “Castelo Rá-Tim-Bum”, entram os figurinos do elenco de “Ensaio Sobre a Cegueira” (“Blindness”), filme de Fernando Meirelles que estréia nos cinemas brasileiros no segundo semestre. É a experiência adquirida em todos esses anos de trabalho que o figurinista Carlos Alberto Gardin pretende dividir em uma palestra na próxima sexta-feira, em Bauru.

A partir das 20h, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru, Gardin promete fazer um panorama de sua trajetória e da profissão. “Pretendo falar sobre o funcionamento da profissão, minha carreira, coisas que deram certo ou não. Mas tudo vai depender do público que eu encontrar em Bauru. Se eu perceber que a platéia é heterogênea e não formada apenas por profissionais da área, não faltarão curiosidades e uma abordagem mais divertida”, adianta sobre a palestra.

O encontro é uma iniciativa do Grupo Ato, do qual Gardin é o principal responsável pelos figurinos desde 1984. A parceria começou com a peça “O Dia em que o Medo Virou Música”, de Carlos Batista, e desde então, foram mais de 12 espetáculos que produziu com o grupo bauruense.

Já na TV, ele foi responsável pelos figurinos de conhecidos programas infanto-juvenis como “Rá-Tim-Bum”, “O Mundo da Lua”, “Castelo Rá-Tim-Bum”, “X-Tudo”, “Glub-Glub”, entre outros. Sua entrada para a televisão, em 1989, foi também o início da sua parceria com Fernando Meirelles. Desde as produções na TV Cultura, os amigos vêm trabalhando juntos. Gardin assina, ao lado da canadense Renèe April, os figurinos do longa-metragem “Ensaio sobre a Cegueira” (“Blindness”).

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‘Cegueira’

A produção dos figurinos de “Ensaio sobre a Cegueira” (“Blindness”) é o primeiro trabalho de Carlos Alberto Gardin no cinema. O filme, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (“Cidade de Deus” e “O Jardineiro Fiel”), foi baseado no livro homônimo de José Saramago e abriu o Festival de Cannes, na semana passada.

Falado em inglês, o longa foi rodado no Canadá, Uruguai e Brasil, teve um orçamento de US$ 20 milhões e contou com participações do ator mexicano Gael Garcia Bernal e dos brasileiros Alice Braga, Plínio Soares e Antônio Abujamra, além dos astros Julianne Moore, Mark Ruffalo e Danny Glover. A história acompanha uma cidade atingida por uma doença misteriosa que cega toda a população.

Segundo Gardin, responsável pelo figurino principalmente nas gravações realizadas em São Paulo e em Montevidéu, no Uruguai, a grande tarefa ao vestir o elenco era mostrar, por meio das roupas, a passagem do tempo e de tudo que estava sendo vivenciado pelas personagens. “No começo do filme, a roupa está impecável, mas com a cegueira atingindo a população e a situação tornando-se caótica, a vestimenta vai ficando suja, velha, rasgada. Assim, as roupas foram recebendo todo esse processo de envelhecimento e desgaste para marcar a passagem do tempo”, explica.

Outro cuidado tomado foi para que as peças fossem atemporais, assim como é o livro, que não identifica nem mesmo a cidade ou país onde se passa a trama. “Não queríamos datar o filme. Por isso, usamos roupas clássicas e peças simples para ser universal”, conta. De acordo com Gardin, a opção de um figurino mais “clean” teve ainda a função de voltar os olhares do público para a história, e não para os atores. “Queríamos que o figurino fosse simplesmente a conseqüência de tudo que a personagem viveu e passou”, comenta.

Sobre a parceria com o diretor, Gardin diz ser sempre um privilégio trabalhar com Meirelles. “Depois de tantos anos trabalhando juntos, temos muita afinidade. Além disso, é muito fácil trabalhar com ele, pois ao mesmo tempo que ele orienta, você tem liberdade para produzir”, conta.

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Exposição

Para aqueles que quiserem conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Carlos Alberto Gardin, a partir de amanhã estarão em exposição, no saguão da OAB-Bauru, os figurinos dos espetáculos do Grupo Ato criados pelo figurinista. A mostra reúne peças e desenhos de seis espetáculos produzidos pelo grupo.

Para Gardin, essa é uma grande oportunidade para mostrar sua produção e contar a sua história. “O figurinista produz para os outros; um trabalho que depois de pronto, não pertence mais a ele. Por isso, é especial ver tudo isso exposto, ver que foi conservado”, explica.

A entrada é franca e o horário para visitação é das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira, e das 18h às 20h aos sábados. Os ingressos para a exposição devem ser retirados em qualquer loja da Galeria 21 Center.

• Serviço

Carlos Alberto Gardin faz palestra na sexta-feira, às 20h, no Auditório da OAB-Bauru (avenida Nações Unidas 30-30). Entrada franca mas os ingressos devem ser retirados na Galeria 21 Center. Exposição de Carlos Alberto Gardin e Grupo Ato, a partir de amanhã no saguão da OAB-Bauru. Mais informações pelo telefone (14) 9151-2879 ou no site www.grupoato.com.br.

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