São quase dois anos indicando os caminhos pelos corredores do Hospital de Base (HB) de Bauru. O grupo “Posso Ajudar?”, composto atualmente por 22 voluntários, auxilia as pessoas que vão visitar seus parentes e amigos a se localizar dentro da unidade de saúde.
Idealizado pelo médico Samuel Fortunato, diretor técnico do HB, o grupo nasceu da dificuldade que as pessoas sempre encontram para se locomover dentro de um hospital. “Se encontrar em uma unidade médica sempre é muito difícil por mais que haja sinalização. Aqui no HB essa dificuldade aumenta um pouco, devido a uma característica da nossa construção, que tem o formato de um ‘H’. Foi pensando nisso que a gente percebeu como era importante a existência de um grupo que funcionasse como orientador”, conta o médico sobre a instauração do programa.
Divididos em dois turnos, os voluntários se revezam`, de segunda a segunda, e fazem plantões das 10h30 às 12h30 e das 19h30 às 21h30. A atuação do grupo ocorre nesse horário por ser o período de visitas dos pacientes atendidos pelo SUS, caracterizados por pessoas que necessitariam de maior ajuda e informações. “Muitas vezes, os visitantes nunca andaram de elevador e têm medo. Outros tem vergonha de perguntar. Assim a gente vai ajudando”, conta Raquel Pavanello, coordenadora do grupo.
Vestidos de jaleco azul e sempre atrás dos olhares perdidos, os voluntários recebem como pagamento os agradecimentos e abraços sinceros dos auxiliados. Veteranas do projeto, as voluntárias Kislene de Oliveira e Marilene Scriptor participam do grupo desde a sua primeira reunião, em 2006. “É muito gratificante. Com o serviço voluntário você aprende todo dia”, contam as vizinhas e amigas, que sempre atuam juntas em seus plantões no HB.
Kislene, que também faz outros serviços voluntários além do “Posso Ajudar?”, conta como é satisfatório dedicar-se ao próximo. “É uma troca muito especial e na verdade, quem acaba sendo ajudado é você”, diz.
A costureira Marilene afirma que é sempre com prazer que abre mão do serviço de casa, da companhia dos filhos e netos para se dedicar às visitas do hospital. “Seria tão melhor se todo mundo desse algumas horinhas do seu tempo em benefício do próximo”, completa.
Já para os visitantes, é sempre reconfortante encontrar pessoas dispostas a ajudar. Mesmo depois das orientações obtidas na portaria, Elizabeth Aparecida Corrêa conta que ainda estava perdida. “Eu teria ficado horas aqui procurando o quarto sem a orientação deles”, agradece a dona-de-casa que foi ao hospital visitar um amigo.
Muitas histórias
Mais do que mostrar caminhos, os voluntários do “Posso Ajudar?” procuram dedicar-se ao máximo para amenizar os transtornos e dores dos familiares dos internados. Enquanto acompanham cada visitante ao seu destino, os voluntários ouvem atentos as histórias que cada um tem para contar.
“Você acaba conhecendo a vida de cada um e, assim, nosso trabalho funciona mesmo como uma equipe de apoio do HB. Observamos as necessidades de cada família que vem ao hospital, como não ter onde ficar, comer ou até se transportar de volta para casa e encaminhamos para a Ouvidoria ou para o Serviço Social do hospital”, conta Raquel Pavanello, coordenadora do grupo.
Greice Ferreda, 27 anos, uma das mais jovens do grupo, comenta como o envolvimento com o paciente torna-se, muitas vezes, inevitável, apesar do trabalho ser voltado principalmente para a família. “Você se comove com a história de cada família, acompanha a evolução de cada paciente que conhece e tudo isso é um aprendizado incrível”, conta a secretária, que também faz ações voluntárias em outros locais.
O grupo que começou a atuar no Hospital de Base com cerca de 40 voluntários, hoje, com apenas 22 componentes, está precisando de novas pessoas para dar conta de toda a demanda. “Cada turno precisa de pelo menos três pessoas atuando. Por conta disso, eu e outros voluntários temos vindo muitas vezes por semana para conseguir preencher a grade”, conta Raquel.
Para suprir a falta de pessoal e facilitar o trabalho, o grupo tem desenvolvido algumas “inovações”. “Colocamos uma fita azul desde a entrada até o raio X, por exemplo. Assim, quando temos muita gente para atender não precisamos acompanhar todos, basta orientá-los para seguir a linha”, conta o major da Polícia Militar, Augusto Cação, que foi o primeiro coordenador do “Posso Ajudar?” e hoje participa como voluntário, fazendo plantão em todas manhãs de domingo.
A atuação de cada participante demanda duas horas semanais de dedicação. Cabe a cada um a escolha do dia e período de serviço. “Qualquer pessoa pode participar. Basta vir, fazer um treinamento de uma semana e decidir se quer ficar”, explica a coordenadora.
Aos interessados, basta entrar em contato com o hospital pelos telefones (14) 3203-1023 ou 9791-0155.