Internacional

Tribunal condena ex-ditador e 18 dirigentes à pena de morte na Etiópia

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Etiópia - O ex-ditador etíope Mengistu Haile Mariam foi condenado ontem à morte por um tribunal de apelação, assim como 18 dirigentes de seu regime. A Suprema Corte etíope aceitou as demandas da acusação, que solicitou perpétua ou pena de morte para Mengistu e os seus colaboradores.

O ex-ditador, que vive no exílio no Zimbábue desde a queda de seu regime em 1991, admitiu, em 12 de dezaembro de 2006, ser culpado por genocídio durante a época conhecida como “Terror Vermelho’’ (1977-78). No veredicto de 11 de janeiro, depois de um processo de mais de dez anos, a corte havia considerado “os recursos de súplica” para evitar a condenação à morte.

Mengistu foi declarado culpado em dezembro, ao final de um julgamento que durou 12 anos. Na época, o ditador se recusava a reconhecer a legalidade do tribunal que o julgou, e dizia que havia sido deposto por mercenários e colonizadores.

As evidências contra ele incluíram ordens de execução assinadas, vídeos de sessões de tortura e depoimentos pessoais.

Terror Vermelho

O ex-líder governou o país entre 1974 e 1991, depois que ele e uma junta militar conhecida por sua sigla, Dergue, depuseram o então imperador do país, Hailé Selassié.

No auge das tensões da Guerra Fria na África, Mengistu declarou a Etiópia uma República Socialista e, com o apoio de Cuba e da União Soviética, impediu uma invasão da Somália e de aliados capitalistas.

Durante o chamado período do Terror Vermelho, em 1977 e 1978, o regime promoveu uma campanha de perseguição a opositores, em que milhares de suspeitos foram caçados e executados. Seus corpos eram jogados nas ruas. Em 1991, com o fim do apoio soviético, a região separatista conseguiu derrotar as forças de Mengistu, que fugiu para o Zimbábue. Desde então, o país de Robert Mugabe tem negado repetidos pedidos de extradição do ex-líder etíope.

Comentários

Comentários