Cultura

O som de Pernambuco

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos artistas com o maior número de indicações ao Prêmio Tim de Música 2008, Siba e a Fuloresta mostram o melhor dos ritmos nordestinos numa combinação única. Depois do primeiro CD, “Siba e a Fuloresta do Samba”, lançado em 2002, os muitos instrumentos de sopro, percussão e rimas de improviso do segundo trabalho deram continuidade à produção de ritmos tradicionais e dançantes de Pernambuco.

Em uma mistura de ciranda, coco de roda, maracatu de baque solto, samba e frevo, “Toda Vez Que Eu Dou um Passo, o Mundo Sai do Lugar”, lançado no final do ano passado, é o motivo para os músicos disputarem, amanhã, nada menos do que quatro prêmios - Melhor Disco Regional, Melhor Cantor Regional, Melhor Cantor Voto Popular e Melhor Projeto Visual, em um dos mais importantes eventos dedicados à música brasileira.

Para o cantor, compositor e rabequista Siba Veloso, ex-líder da banda de forró Mestre Ambrósio, as indicações recebidas pelo grupo são sinônimos de vitória da diversidade da música brasileira. “Além do reconhecimento do nosso trabalho que foi, no mínimo, intenso, na verdade essa é uma vitória da música brasileira. É uma forma de perceber e valorizar as várias vertentes de som que existem no país”, diz o músico, em entrevista concedida por telefone ao JC.

Segundo Siba, que desde 2002 trocou a agitada São Paulo pela pequena Nazaré da Mata, o maior objetivo do trabalho desenvolvido com a Fuloresta é buscar uma linguagem universal de comunicação, embora baseada em ritmos e estilos específicos de uma região, que atinja o maior número de pessoas. “Os estilos são locais, mas a proposta dos temas, o conteúdo dos textos, a forma que a gente trata e toda a produção musical do disco em si, tem o intuito de atingir as pessoas de maneira abrangente, independente dos lugares que elas sejam”, explica.

Deve ser por esse motivo que Siba tem a categoria Melhor Cantor Voto Popular, como a mais especial entre as indicações. “Isso demonstra uma resposta espontânea do público e que nós chegamos até as pessoas. De todas as indicações, se eu pudesse escolher uma, seria o reconhecimento do público”, confessa.

Segredo

Talvez o maior segredo do grupo seja o modo como a poesia de Siba encaixa-se perfeitamente ao som cheio de gingado dos músicos Biu Roque, Mané Roque, Cosme Antônio, Roberto Manoel, Dyogenes Santos, Galego e Zeca. A inspiração, confessa o músico, vem da poesia rimada praticada nas ruas, do improviso e do estilo do canto característico do Nordeste que revelam situações comuns do cotidiano. “Eu tenho uma preocupação muito grande com a linguagem, que tem que ser a mais direta possível. As letras tem conteúdo sem, necessariamente, usar uma linguagem rebuscada”, explica.

Segundo Siba, as letras sempre falam um pouco de tudo. Nas músicas de “Toda Vez Que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar”, versos abordam de maneira engraçada o futebol, em cima do mote “Ninguém pode ganhar campeonato / se o juiz não tem mãe nem coração” e a hipótese de “Será que ainda vai chegar/ o dia de se pagar/ até a respiração”, canção na qual os músicos questionam o excesso de impostos no dia-a-dia. Há espaço também para divagações filosóficas, assim definida pelo músico, sobre o tempo e a natureza.

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Zimbo Trio

Ao lado dos trabalhos mais regionalistas, a música instrumental não é uma vertente de grandes alcances no Brasil. Diante disso, é também com alegria que o Zimbo Trio recebe a indicação para o Prêmio Tim 2008 na categoria instrumental pelo CD “Zimbo Ao Vivo”, 49.º trabalho do grupo.

Em sua passagem por Bauru na 2ª edição da Virada Cultural Paulista, Amilton Godoy, um dos integrantes do trio, comentou como é difícil difundir o estilo musical e como o espaço dedicado à música instrumental ainda é restrito. Assim, para o músico, a indicação é um sinal de que o trabalho ainda chega até as pessoas. “Uma indicação como essa nos garante grande visibilidade. E o mais importante, mostra como você está atuante e que mesmo depois de tanto tempo, a sua proposta continua atual”, comemora o músico, aos 44 anos de carreira.

Mesmo ansioso à espera do resultado, que será divulgado amanhã, o músico comenta como a indicação, por si só, já significa uma grande conquista. “Independente de ganhar, ser lembrando nesse parâmetro é muito importante na carreira de qualquer músico. É um atestado do seu profissionalismo e seriedade”, considera.

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