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Presidente Lula diz que povo brasileiro é dono da Amazônia

Folhapress
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Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o povo brasileiro é o dono da Amazônia. Ele destacou que é preciso diminuir o desmatamento e as queimadas na região e criticou a interferência de países estrangeiros no debate.

“É muito engraçado que países que são responsáveis por 70% da poluição do planeta agora ficam de olho na Amazônia, como se fosse apenas nossa a responsabilidade de fazer o que eles não fizeram todos os anos passados. O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono. É o povo brasileiro, que são os índios, os seringueiros, os pescadores, mas também somos nós, que temos consciência que é preciso diminuir o desmatamento e as queimadas.”

Lula ressaltou, no entanto, que é preciso desenvolver a região amazônica. Ele lembrou que são quase 25 milhões de habitantes na região, que querem ter acesso às condições que os habitantes das regiões de todo o país têm.

“Por que estas pessoas têm de ficar segregadas? Esse é um debate que penso que será o principal para as próximas duas décadas.”

O presidente afirmou ainda que o Brasil, por meio dos biocombustíveis, vem fazendo sua parte ao diminuir os níveis de poluição no mundo. Ele destacou que o “Protocolo de Kyoto já faliu” e que muitos dos países que assinaram o acordo o descumpriu.

“Quem tinha de tomar medidas para cumprir o protocolo nem assinou. Nós que referendamos. Somos nós, com a utilização do etanol, que reduzimos as emissões de toneladas de CO2.”

Lula participa hoje do 20.º Fórum Nacional, que começou ontem e vai até a próxima sexta-feira na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.

O evento foi organizado pelo economista João Paulo dos Reis Velloso e tem como tema: “Brasil - Um novo mundo nos trópicos: 200 anos de independência econômica e 20 anos de fórum nacional (sob o signo da incerteza).”

Unasul

Lula criticou a imprensa pela cobertura da cúpula da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), criada na semana passada, em Brasília (DF). Por falta de consenso, a Unasul não aprovou a criação do Conselho de Defesa da América do Sul - proposta defendida pelo Brasil.

“Quando reparo o que a imprensa retratou, sobretudo a escrita, (a Unasul) foi um fracasso. Quando na verdade para quem já foi govero e faz política na América da Sul, sabe que o que nós conseguimos fazer sexta-feira foi algo dimensão tão incomensurável que muitos cientistas políticos não achavam possível de ser feito”, disse Lula ontem no Rio.

Segundo Lula, ainda há avanços possíveis na integração entre os países da região, como uma moeda única ou Banco Central forte. “Dá para fazer muito ainda. Porque nós trabalhamos aqui na América do Sul com a responsabilidade de que as novas gerações, que não acreditam mais no meu governo, possam criar uma moeda única com um Banco Central forte. Isso não é impossível”, afirmou ele.

Para Lula, o estado enfraquecido não governa e não é capaz de resolver os problemas do país. “Estado forte não governa, não resolve problemas”.

Lula já havia defendido ontem, no programa de rádio “Café com o Presidente”, que após a criação da Unasul, que a região caminha para a criação de uma moeda comum e de um banco central único.

“Nós agora estamos criando o Banco da América do Sul. Nós vamos caminhar para, no futuro, termos um Banco Central único, para ter moeda única (...) Agora, isso é um processo e não é uma coisa rápida”, disse Lula.

Lula lembrou o fato de que nem todos os países da União Européia utilizam o euro. “Na União Européia, nós tivemos países que não aceitaram moeda única, nós tivemos países que não aceitaram a constituição e nem por isso as pessoas falavam em crise. É uma coisa normal de uma convivência democrática na diversidade”, afirmou.

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