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Tênis: Bauruense já venceu Guga

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 3 min

No momento que o maior tenista brasileiro de todos os tempos Gustavo Kuerten encerra sua carreira como tenista profissional, Bauru relembra a passagem do catarinense pelas quadras de saibro do Bauru Tênis Clube antes de entrar na lista dos melhores do mundo. Com 15 anos de idade, Guga disputou na cidade a etapa do M2000 Junior’s Cup ainda na categoria 16 anos, que valia pontos para o ranking da Confederação Brasileira de Tênis.

Quem estava no clube naquela quinta-feira, dia 12 de setembro de 1991, pode conferir o duelo entre o então desconhecido Gustavo Kuerten, cabeça-de-chave número 1, e o bauruense André Moron. Na ocasião, Moron eliminou Guga da competição ao derrotá-lo por 2 sets a 1, com parciais 1/6, 6/3 e 6/3. No dia anterior, Guga havia tirado da competição o bauruense Daniel Freire de Almeida por 6/4 e 6/2. Na mesma competição também esteve em Bauru o tenista Alexandre Simoni, que anos mais tarde entraria na lista dos Top 100 da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e disputou entre 2001 e 2002 os principais torneios do tênis mundial, como o Aberto da Austrália, Wimbledon e US Open.

Porém, a presença de Guga jamais será esquecida por André Moron e Daniel Freire de Almeida. “Neste campeonato, Guga comemorou o aniversário dele em Bauru e no dia seguinte dei de presente sua eliminação da etapa”, brinca Moron, que hoje é fisioterapeuta. “Ele já era um tenista diferente, tinha um patrocínio muito bom e disputava todos os torneios do Brasil, mas ninguém imaginava que cinco anos mais tarde ele ganharia o Roland Garros”, completa.

Moron venceu Guga nas quartas-de-final e foi vice-campeão da etapa bauruense da M2000. “Foi um jogo muito bom. Ele (Guga) venceu o primeiro set por 6 a 1. Eu consegui virar e o venci. Ele ficou ‘louco’ da vida porque estava em ótima forma e tinha acabado de conquistar o título de um outro torneio”, lembra Moron.

Segundo o algoz bauruense, Guga jamais esqueceu esta derrota. “Certa vez, a Matilde (bauruense roupeira da Seleção Brasileira feminina de basquete) me disse que nas Olimpíadas de Atlanta, em 2006, o time de basquete feminino do Brasil ficou alojado próximo da equipe de tênis e, conversando com Guga, ao falar que era de Bauru ele contou para que quando veio aqui perdeu para um tal de André Moron”, conta. Este foi o único confronto entre André Moron e Guga. Moron não chegou a se profissionalizar. Foi o 14º do ranking brasileiro na categoria 16 anos, mas aos 17 anos parou de jogar para se dedicar aos estudos.

‘Freguês’

Já Daniel Freire de Almeida, hoje agente Fifa na região de Bauru, enfrentou Guga por três oportunidades quando ainda eram juvenis. Perdeu duas e venceu uma. “Aqui em Bauru foi um jogo muito difícil. Ele sempre teve patrocinadores fortes e me lembro de ver o Larri Passos (técnico de Guga) o acompanhando em Bauru”, relembra.

A única vitória de Daniel sobre Guga foi em um torneio em Belo Horizonte. “O venci por 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 6/4. O Guga era um bom jogador, mas não podíamos imaginar que um dia seria o número 1 do mundo. O que ele fez foi fora do comum. O Guga quebrou paradigmas e chegou em torneios que nunca imaginaríamos que um brasileiro seria capaz de chegar. Para mim, mais importante que o Roland Garros, foi a conquista do Masters Cup de Lisboa, onde disputam os oito melhores tenistas da temporada. Naquela competição Guga derrotou André Agassi e Peter Sampras na semifinal e final, um seguido do outro. Para mim, este foi o maior feito de Guga”, avalia o bauruense.

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