A ousadia de comentar um artigo do jornalista Zarcillo Barbosa! A favor, é lógico. Não sou burro. Refiro-me ao seu artigo “Pior do que a saúva”, do domingo, 25 de maio.
Depois de se manifestar sobre a Mata Atlântica e a sua “praga mais devastadora que a saúva – o próprio bicho homem”, o sr. Zarcillo escreveu que “existe outra calamidade grave, no Brasil, que é o analfabetismo”: “O relator da Unesco inclui o Brasil como uma das 77 nações que correm o risco de não reduzir o analfabetismo adulto pela metade até 2015 e lamenta que o número significativo de analfabetos no Brasil pode comprometer até a sua economia”. Porque “muitos ficarão excluídos do processo do desenvolvimento econômico e até político”.
É aqui que entro com a ousadia e com o velho ditado: “Atacar o mal pela raiz”, para evitar que o número de analfabetos aumente neste Brasil varonil. Além da ação para ensinar as letras para os 16,3 milhões de analfabetos, porque não nos concentrarmos também no ensino fundamental incentivando crianças a lerem mais, evitando mais analfabetos no futuro? A criança é matriculada com 6 anos de idade; até o ano de 2015 acima citado e partindo deste ano de 2008 estará com 8 anos de ensino e 14 de idade, sabendo ler e escrever bem. Isto se houver apoio e incentivos básicos em material e melhor remuneração aos professores, e não os obrigando à determinada “aprovação automática” os proibindo reprovarem muitos alunos que sequer saberão ler e interpretar o valor do diploma que receberão.
Por isso, afirmo que o incentivo à leitura é definitivamente necessário, principalmente num país com a população de 189 milhões como o Brasil e que lê l,8, isto é, menos de 2 livros ao ano, enquanto que nos Estados Unidos são cinco livros e na Europa oito livros lidos por habitantes.
É preciso repetir o sr. Zarcillo, anotando, do seu precioso artigo, que na realidade não são apenas 16,3 milhões e sim “37 milhões de pessoas, incluídas os “analfabetos funcionais” que não conseguem interpretar um texto simples de quatro linhas”. No Brasil, o inteligente hábito da leitura não é alimentado a partir dos pais, sempre ídolos da sua prole, comprometendo seriamente o futuro dos filhos.
As alegações “falta de tempo” e “estou cansado” não passam de desculpas ocas da preguiça para não ler livros, jornais e revistas, e passar o bom exemplo aos herdeiros.
Como voluntário e convidado, visito escolas municipais, estaduais e particulares, para conversar com as crianças sobre a importância da leitura nas suas cabecinhas e o seu valor inestimável para a formação do futuro social e profissional. Provar-lhes que a leitura proporciona descobertas maravilhosas da realidade e da fantasia. A receptividade, o interesse, a curiosidade, as perguntas que são feitas e a certeza do aproveitamento pelos alunos, é a minha gratificação.
Nada melhor que a definição do poeta Mário Quintana que nos deixou, para reflexão, a sua filosofia: “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem”.
Cumprimento o jornalista Zarcillo Barbosa, confiando que continuará doando o seu talento na luta, e que luta, contra o analfabetismo!
Munir Zalaf - escritor, poeta e palestrante - RG 2.726.959