Economia & Negócios

Alimentação dentro do lar perde espaço

Por Gabriel Ottoboni | Enviado especial
| Tempo de leitura: 3 min

O brasileiro prefere comer fora de casa. De acordo com pesquisa da LatinPanel, que monitora os hábitos de moradores de 8 mil municípios no País, as despesas com alimentação dentro do lar caíram de 19% para 17,8% na comparação entre 2006 e 2007. No mesmo período, o gasto médio domiciliar com alimentação fora da residência cresceu 8%. Os “responsáveis” pela estatística foram o aumento da renda dos trabalhadores e a participação feminina no mercado de trabalho. Os gastos com gêneros de largo consumo apontam que a alimentação consome 73% da renda das famílias brasileiras, à frente de itens de higiene, limpeza e bebidas.

Os dados foram divulgados durante o 24.º Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, promovido pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) em São Paulo e que deverá movimentar R$ 4 bilhões em negócios. O evento, iniciado nesta segunda-feira com término marcado para amanhã, discute a “Sustentabilidade em nome do consumidor”.

Na semana passada, o Jornal da Cidade divulgou levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) indicando que fazer refeições fora de casa estava até 20% mais caro em virtude da alta dos preços de alimentos como arroz, feijão, carne bovina, trigo e frango.

Segundo o presidente da Apas, João Sanzovo Neto (que também é prefeito de Jaú, localizada a 47 quilômetros de Bauru), os números preocupam os empresários do setor, que prevê queda no faturamento neste ano. Para tentar reverter a situação, ele afirma que os supermercadistas devem ampliar o leque de comidas prontas à venda nas lojas. “Estamos concorrendo com fast-foods e restaurantes”, alega.

A mudança de hábitos dos consumidores está obrigando empresários do ramo a desenvolver estratégias que melhor se adaptem a este novo perfil. Para o diretor da regional Bauru da Apas, José Flávio Fernandes, os supermercadistas precisam diversificar as opções e não perder espaço para outras praças de alimentação. “A disputa por mercado será acirrada e quem ganha é o consumidor”, avalia.

Faturamento

O faturamento do setor em 2007 resgistrou alta de 6% em comparação ao ano anterior, com vendas em torno de R$ 136,3 bilhões entre as 74.602 lojas espalhadas pelo País. Em contrapartida, a previsão de faturamento para este ano é de aumento de apenas 4,3%.

O principal motivo da retração do consumo é a alta dos alimentos, motivada por fatores como aumento de preços do petróleo, inundações na Ásia, uso de alimentos para a produção de energias limpas - como o biocombustível - e o aumento do consumo, que no Brasil deve-se principalmente à ascensão das classes consideradas mais baixas.

Na pesquisa da LatinPanel apresentada durante o congresso da Apas, as classes D e E, que juntas representam 44% da população brasileira, dispõem de uma reserva de 4% na comparação entre gasto e renda. Nas classes A, B e C esse percentual chega a 3%. Cerca de 2 milhões de pessoas migraram das classes D e E para a C em 2007. Ainda de acordo com a pesquisa, 76% dos lares brasileiros optam por mais de três canais fornecedores para “se abastecer”.

Em discurso repleto de conotações políticas feito durante o evento, o governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), aproveitou para dizer, sem citar números, que uma das principais metas do atual governo é a recuperação de toda a rede de vicinais do Interior paulista - cerca de 4.500 quilômetros.

Antes de seu discurso, o governador recebeu uma camisa autografada do Palmeiras, equipe pela qual é torcedor declarado, das mãos do presidente da Apas, João Sanzovo Neto. Serra desconversou quando o assunto foi a venda do Banco Nossa Caixa e disse apenas que “não há nada de concreto no negócio”.

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