Bairros

Polícia investiga 2º ladrão em farmácia

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Civil investiga a participação de uma segunda pessoa no assalto ocorrido anteontem à noite em uma farmácia do Centro de Bauru. Essa pessoa daria fuga ao ladrão que morreu ao ser baleado pelo policial militar que estava no estabelecimento, à paisana, e reagiu.

O assaltante morto foi identificado apenas no final da tarde de ontem como Mário Oliveira Pires Júnior, 28 anos. O delegado Silberto Sevilha Martins, titular do 3.º Distrito Policial, explica que até a identificação do corpo, feita pela família, acreditava-se que o autor do roubo seria um rapaz conhecido como Gu Louco.

De acordo com o 3.º DP, Pires Júnior também é conhecido nos meios policiais e tem ficha por tráfico de drogas e roubo. Silberto averigua a possibilidade de que um comparsa estivesse aguardando Pires Júnior para a fuga depois do crime.

Tanto que o assaltante, que foi baleado na farmácia, mas fugiu ferido, foi deixado próximo ao Pronto-Socorro Central (PSC) sem os R$ 160,00 subtraídos da farmácia.

E funcionários da farmácia afirmaram que Pires Júnior já estava com o dinheiro quando foi abordado pelo policial militar Ricardo Gomes de Oliveira. Eles entraram em luta corporal e foram parar na calçada, onde ocorreram os disparos. Baleado no peito, Pires Júnior fugiu e pouco depois foi encontrado na quadra 8 da Rubens Arruda.

Uma testemunha, que pediu para não ser identificada, conta que estava próximo ao local quando ouviu um carro saindo em forte arrancada. Ao verificar o que tinha acontecido, viu Pires Júnior caído no solo e chamou por ajuda no PSC, que fica nas proximidades. Porém, ele não sobreviveu. Já Oliveira, que levou uma facada nas costas e dois tiros na perna, foi encaminhado ao Hospital da Unimed e até o fechamento desta edição permanecia internado em estado regular.

A Polícia Científica foi acionada e encontrou dois projéteis na farmácia. A arma do policial também foi recolhida. O revólver Taurus calibre 38 estava com dois cartuchos inteiros e cinco deflagrados. Uma faca com cabo preto e lâmina de 19 centímetros, que seria do ladrão, também foi apreendida no local.

Anteontem, duas horas antes do assalto que resultou na morte do ladrão, uma loja da mesma rede de farmácias, localizada da alameda Dr. Octávio Pinheiro de Brisolla, foi roubada. De acordo com o registrado no Plantão Policial, um rapaz com descrição semelhante a de Pires Júnior entrou no estabelecimento e, após levantar a camiseta mostrando o revólver preso à cintura, anunciou o assalto. Ele pegou o dinheiro do caixa, cerca de R$ 200,00 que estava dentro de duas latas de pastilhas e também levou R$ 70,00 e um relógio de uma cliente que estava na loja. A polícia também avalia a ligação das ocorrências.

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‘Vou contratar segurança’

Preocupado com a segurança dos funcionários e dos clientes após o assalto de anteontem à noite a uma farmácia de Bauru, em que o ladrão morreu e o policial, que reagiu, saiu ferido, o empresário Antônio Augusto Gomes, que tem oito lojas do ramo e outras seis franquiadas distribuídas pela cidade, está contratando segurança particular. Anteontem, pouco antes do roubo da farmácia que resultou na morte do assaltante, outra loja da rede dele havia sido roubada.

“Em quatro semanas, foram cinco assaltos a cinco lojas minhas”, relata Gomes. Ele frisa que, por um bom período de tempo, os assaltos a farmácias eram raros, mas nos últimos meses eles passaram a ser constantes.

“Não acredito que seja um único ladrão. Mas estamos vivendo uma onda de assaltos. E os ladrões têm informações privilegiadas. Em loja que tem câmera, entram encapuzados. Em outras, agem na hora da troca de turno dos caixas, momento que acreditam ter mais dinheiro. Um desses últimos assaltos, na loja da avenida Comendador José da Silva Martha, ocorreu quando o farmacêutico estava jantando e na loja ficaram duas mulheres”, relata.

Diante da série de assaltos, o empresário afirma que terá de absorver custos e contratar segurança. “Já estou contratando segurança para cada uma das lojas e também teremos ronda. Enquanto estavam levando dinheiro, a preocupação era menor. Mas agora, estamos muito preocupados com os funcionários e os clientes. Dois funcionários pediram demissão ao saber do ocorrido de ontem (anteontem)”, comenta.

Gomes frisa que, apesar do prejuízo financeiro, lamenta muito a morte de Pires Júnior. “Eu gostaria que ele fosse preso, não que morresse”, diz ele, que elogia o trabalho das polícias Militar e Civil na cidade. “Infelizmente, isso tudo é reflexo da violência da Capital que já migrou para o Interior”, completa.

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