A mãe de um recém-nascido de oito dias poderá responder por pelo menos dois delitos, sendo um deles falsa comunicação de crime e o outro, abandono de incapaz. Ontem, ela procurou o plantão da Polícia Civil de Bauru para registrar o sumiço da filha. No boletim de ocorrência, informou que havia deixado o bebê com uma conhecida para fazer um exame. A pessoa apontada, por sua vez, foi acusada por ela de ter entregue a criança à outra mulher.
Diante da gravidade do caso, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) foi comunicada e as investigações começaram. A Polícia Militar também foi mobilizada. A partir do esforço policial, todos os envolvidos foram levados à delegacia, onde constatou-se que a mãe sabia com quem estava a recém-nascida.
Embora negue, ela teria entregue o bebê para que ele pudesse receber cuidados que não teria condições de dispensar. No entanto, confirma que o doaria, porém não agora. Diante da situação, o Conselho Tutelar foi acionado e a menina abrigada. O destino dela dependerá de decisão da Justiça, informa o titular da DDM, Dinair José da Silva.
De acordo com ele, durante a ocorrência comentou-se que a mãe da recém-nascida poderia ter vendido algum de seus outros oito filhos. Será instaurado inquérito policial para apurar a denúncia. “Precisamos analisar bem”, pondera o delegado. Inicialmente, ela deve responder por falsa comunicação de crime, uma vez que mobilizou a polícia desnecessariamente.
Também poderá responder por abandono de incapaz, se ficar confirmado que entregou a filha, que teria problemas de saúde, a terceiros. “Ela disse que só teria dado a criança para fazer o exame. Só que iria mesmo entregá-la, mas depois”, conclui Dinair. Inicialmente, a família que acolheu a menina não teria incorrido em crime.