O reajuste nos salários das empregadas domésticas contratadas com carteira assinada pode ser o principal responsável pelo aumento na procura por diaristas na cidade. Segundo o Sindicato dos Empregadores Domésticos de Bauru e Região, com o salário de uma empregada reajustado para R$ 450,00 em março, o custo final para os patrões será de R$ 525,00 por mês, já contabilizando transporte e o recolhimento feito ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A advogada do sindicato, Ângela Maria Leal Maeda, afirma que, além do custo financeiro, existem os gastos com alimentação, banho e outros detalhes que envolvem a contratação de uma funcionária do lar. Por conta desses custos, algumas pessoas têm optado pelos serviços de uma diarista para suprir suas necessidades, o que nem sempre é um bom negócio, na avaliação da advogada.
“Depende muito (da situação), porque 90% das diaristas não cozinham. Ou ela vai lavar e passar em um dia e no outro dia ela vai fazer faxina na casa. Dificilmente ela vai cozinhar”, frisa.
Ângela Maeda ressalta que, dependendo do bairro em que mora o empregador, uma diarista cobra entre R$ 30,00 e R$ 60,00. No caso de bairros mais nobres elas costumam cobram o valor máximo.
O custo ao final do mês vai depender de quantos dias a funcionária trabalha na residência. No entanto, apesar da economia aparente pelo fato da diarista não receber férias e 13.º salário, em alguns casos será necessária a contratação de outros empregados para executar as demais funções. Por isso, a situação de cada empregador requer análise individual.
Classe média
A advogada ressalta, ainda, que o maior peso financeiro é para a classe média. “As pessoas com maior poder aquisitivo já têm um corpo de empregados. Tem a doméstica, a cozinheira, o jardineiro. Onde pesa mesmo é para professoras, advogadas, microempresárias, que precisam de alguém para cuidar da casa, mas não ganham o suficiente para manter uma mensalista”, observa.
Para Ângela, a classe média, que contrata mais por necessidade do que por luxo, é quem sai perdendo a cada reajuste salarial, já que se torna difícil manter esse tipo de gasto. “Uma professora, que precisa trabalhar em dois, três lugares para ganhar R$ 2 mil, R$ 2,5 mil, precisa de uma empregada. A bancária, que tem filhos e trabalha oito horas por dia, também está sofrendo. Então, elas estão optando pelas diaristas. Mas essa migração costuma ocorrer somente logo após o aumento do salário mínimo”, destaca.
No Sindicato das Empregadas Domésticas de Bauru, o discurso é parecido. O advogado da entidade, Emílio Ruiz Martins Júnior, afirma que essa tendência de aumento na procura por diaristas sempre ocorre na época de reajuste salarial, mas não é nada que afete a categoria. “Sempre que aumenta o salário mínimo tem essa corrida por diaristas, o pessoal quer dispensar, mas dura pouco. Dentro de um mês, a situação já normaliza”, ressalta.
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Cuidados
Mesmo nos casos em que se trata de uma opção temporária, de acordo com os sindicatos consultados pela reportagem, é preciso ter cuidados na hora de contratar uma diarista. Da mesma forma, a profissional deve se resguardar para não trabalhar além do que for acordado. A solução é apontada pela advogada Ângela Maeda, do Sindicato dos Empregadores Domésticos de Bauru e Região. “É fundamental fazer um contrato de prestação de serviços, para que nenhum dos lados saia prejudicado”, afirma.
No contrato devem ser combinadas todas as obrigações da diarista e também do empregador. Segundo a advogada, da mesma forma que há pessoas de má-fé que se passam por empregadas, também há maus patrões que combinam uma coisa e depois não cumprem. “O contrato evita que ocorram problemas para ambos os lados. É importante, também, ter as referências da diarista antes de contratar”, alerta a advogada.