Cultura

‘A voz da cidade’

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min

Reconhecido como “a voz da cidade”, o compositor Adoniran Barbosa foi a inspiração para a professora Maria Izilda Santos de Matos recuperar as histórias presentes na vida noturna da Capital paulista. Como resultado, nasceu o livro “A cidade, a noite e o cronista: São Paulo e Adoniran Barbosa”, lançado hoje na Universidade do Sagrado Coração (USC).

A temática da publicação também será o mote da palestra que a historiadora apresenta, às 19h, no 1º Fórum de Pesquisa em Musicologia, promovido pelo Simpósio Internacional de Linguagens Educativas da USC, que segue até amanhã. Hoje ainda, um sarau musical com interpretações de canções de Adoniran Barbosa, promovido pelo curso de música da USC, embala a noite.

Em sua visita, Matos contará sobre sua experiência de utilizar canções como ferramenta histórica, falará da música como desafio de pesquisa na universidade, além das contribuições que o livro traz. “Quero mostrar como a música é uma possibilidade para rastrear o imaginário de momentos históricos”, adianta em entrevista concedida por telefone ao JC.

Envolvida com o estudo da noite há quase 20 anos, a dedicação à temática surgiu a partir um preconceito percebido pela historiadora em relação às histórias e experiências noturnas e às práticas boêmias. “Muitas vezes temos uma valorização das realizações do dia, do trabalho diante do lazer, enquanto a noite é tida como descaminho, perigo. Diante disso, a pesquisa tenta conhecer as experiências noturnas daquela época por meio do circuito cultural”, explica.

Assim, é caminhando pela trajetória artística, cultural e boêmia de Adoniran Barbosa que Maria Izilda Santos de Matos conta a história de São Paulo, recuperando territórios, sonoridades e sonhos ocultados no passado. A partir de uma análise social das canções, mostra como, por exemplo, tida como multiétnica, São Paulo carrega em si várias experiências de migrantes e imigrantes, não apenas no universo do trabalho, mas também na vida noturna. “Adoniran marca características como esta da ‘paulistaneidade’, vivas até hoje na memória da cidade.”

Para a autora, este panorama histórico permite perceber ainda como a noite conquistou mais espaço na contemporaneidade. “A vida noturna ganhou importância enquanto opção de entretenimento e de negócios. E a boemia já não aparece como algo tão marginalizado”, atesta.

• Serviço

Palestra “A Cidade, a Noite e o Cronista” hoje às 19h, e lançamento do livro e Sarau Musical, às 20h45 na USC (rua Irmã Arminda, 10-50, no Jardim Brasil). Mais informações pelos telefones (14) 2107-7139 e 2107-7384.

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