Butão - Acabou ontem uma das últimas monarquias do Sudeste Asiático - agora ela só sobrevive no Butão, pois o Nepal passa a ser uma República após 238 anos. O rei Gyanendra, 60 anos, entronado em 2001 após seu irmão ter sido morto pelo filho, tem 15 dias para sair do palácio.
Empossada na terça-feira, a Assembléia Constituinte eleita em abril aprovou a resolução em seu primeiro encontro, por 560 votos a 4.
A sessão começou com atraso de dez horas, devido a desacordos entre a maioria maoísta e outros partidos signatários do acordo de paz de 2006, após dez anos de guerra civil que matou aproximadamente 13 mil pessoas.
O único comentário oficial foi que o rei pretende continuar no Nepal -ele já vivia recluso desde 2006. A Assembléia governará o país enquanto reescreve a Constituição, e conversas de última hora negociavam quanto poder a Presidência terá e quem a assumirá. O mais provável é que os maoístas fiquem no controle.
Em Katmandu, a capital, jovens celebravam o que muitos vêem como o ápice do acordo de paz com a ex-guerrilha maoísta. Perto do centro de convenções onde a Assembléia se reuniu, milhares cantavam “Longa vida à República!”.
Ainda que a manifestação tenha sido pacífica, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão que se aproximava demais do prédio.
Mas se livrar da monarquia, a última do antigo império hindu, é um dos menores problemas do Nepal, como evidenciaram pequenas explosões de bomba que ocorreram em Katmandu nesta semana - somente ontem houve duas.
Todas elas, que feriram quatro pessoas, pareciam ser direcionadas aos políticos pró-República. Foi um sinal de que será difícil desenhar uma paz duradoura e trazer prosperidade ao país -a agricultura responde por 38% do PIB.
Foram deslocados para as ruas 10 mil policiais, enquanto os maoístas disseram ter 20 mil voluntários de sua ala jovem controlando as manifestações.
O medo da violência, porém, permaneceu, pois esses jovens são acusados constantemente de intimidar seus opositores, inclusive com mortes.