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Mais uma agência promove Brasil a grau de investimento

Folhapress
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São Paulo - A Fitch Ratings elevou ontem a nota do Brasil de “BB+” para “BBB”, o que coloca o país no grupo dos países grau de investimento, desta vez pelo viés desta agência de classificação de risco. O anúncio da Fitch confirma a promoção do rating brasileiro anunciada no final de abril pela agência Standard & Poor’s, que foi a primeira a chancelar o país como bom pagador.

“A alta do rating reflete uma melhora dramática das balanças pública e externa do Brasil, que tem reduzido a vulnerabilidade brasileira ante os choques externos e cambiais e fortifica a estabilidade econômica e reforça suas previsões de crescimento de médio prazo”, disse a agência em seu comunicado.

“As autoridades têm estabelecido um caminho de compromisso com a inflação baixa e com o superávit primário, que vêm eliminando as antigas preocupações sobre a sustentabilidade fiscal no médio prazo”, continua a nota.

“A impressionante melhora das finanças externas, em parte puxada pela alta do preço das commodities mas também um resultado da boa gerência polícia juntamente com o status de credor líquido soberano, fez o Brasil ficar muito mais resistente aos choques financeiros globais e aumentou sua credibilidade em relação à sua política macroeconômica”, disse Shelly Shetty, diretora sênior de ratings soberanos da Fitch.

Porém, a agência alerta que o país vai precisar atacar com mais força alguns pontos fracos para melhorar o seu rating. “Os ratings brasileiros continuam limitados pela fraqueza estrutural das finanças públicas, pela alta dívida pública (67% do PIB ante 28% da média dos “BBB”), pela desfavorável estrutura da dívida interna e pelo ritmo glacial das reformas estruturais”, diz a nota.

“Reduzindo essas limitações através das reformas, o país confirmaria o potencial da sua economia e faria as finanças públicas serem vistas positivamente. Por outro lado, as persistentes derrapagens políticas que minam a atual estrutura política podem afetar negativamente os ratings do Brasil”, conclui o comunicado.

O grau de investimento é a classificação dada pelas agências de rating a países com poucas chances de deixar de honrar suas dívidas. Com a nota, o Brasil pode receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram o carimbo de bom pagador. Alguns desses fundos exigem ainda que pelo menos duas agências considerem o país “investment grade”, o que acontece a partir de ontem.

Outras agências

Quase uma semana depois do anúncio da Standard & Poor’s, a Fitch confirmou que o seu rating do Brasil estava sob reavaliação, após a imprensa noticiar que a equipe principal de analistas visitou o país e teve contato com autoridades governamentais.

No início deste mês, a terceira grande agência de classificação, a Moody’s, apontou a dívida pública brasileira como um dos principais empecilhos à melhora na avaliação do rating soberano do país. A atual nota (Ba1), segundo o grupo, ainda classifica o Brasil como grau especulativo, categoria que engloba nações de maior risco de crédito na comparação com países da categoria grau de investimento.

Anteontem, uma agência menor, a canadense DBRS, elevou o rating do Brasil. A DBRS justificou sua decisão citando “a grande previsibilidade das políticas macroeconômicas”, “o fortalecimento estrutural das receitas públicas gerais” e a “melhora tanto no tamanho quanto na estrutura da dívida pública”.

Fundo Soberano

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que a elevação do Brasil para grau de investimento pela Fitch reforça a decisão do governo de criar um fundo soberano.

“Não influencia (a nota da Fitch) porque a decisão já estava tomada, mas agora ela pode ser reforçada”, disse o ministro. “O Brasil é hoje um país reconhecidamente mais sólido, mais confiável e mais robusto. (...) E com fundo soberano”.Mantega comemorou a decisão da agência, uma das três maiores do mundo, e disse que a principal razão para a melhora da nota é a solidez fiscal.

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