Cultura

Eclético, Prêmio TIM celebra Dominguinhos

Diego Molina*
| Tempo de leitura: 3 min

“Ah, ele é importante”, responde Arnaldo Antunes, com tom irônico, a um jornalista que lhe perguntara a importância do Prêmio TIM de Música, que foi entregue anteontem à noite no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Com troféu de melhor disco (“Ao Vivo no Estúdio”) na categoria Pop Rock em mãos, Antunes completa, de bom humor, depois de passar alguns segundos encarando os repórteres: “Na verdade, o prêmio é um incentivo e um estímulo, mostra o trabalho para mais pessoas, é um reconhecimento bacana.”

No ano em que homenageou o pernambucano Dominguinhos, o prêmio reconheceu artistas de gêneros, origens e gerações bastante diferentes - daí a ironia de Antunes -, incluindo alguns quase desconhecidos do grande público, como As Meninas de Sinhá, grupo mineiro formado por senhoras da periferia de Belo Horizonte que cantam cantigas de roda; e Vítor Ramil, gaúcho eleito Melhor Cantor pelo voto popular, deixando para trás nomes (impossível não repetir) mais populares, como Caetano Veloso, Jorge Benjor e Djavan.

A Melhor Cantora pelo voto popular já havia sido ovacionada desde sua chegada ao Theatro Municipal. Hoje, sem dúvida alguma, Ivete Sangalo é a artista mais popular e, por que não?, uma das celebridades mais queridas do País. Depois do alvoroço em sua chegada, ela cumprimentou praticamente todos os indicados e artistas que já se encontravam sentados na platéia. Beijou Fernanda Montenegro, brincou com Fafá de Belém, tirou fotos com Otávio Augusto e Marina Elali...

Artista, sim, e também política. Ao receber o prêmio de Melhor Cantora na categoria Regional, Ivete subiu ao palco com uma folha de caderno com “Elba” (Ramalho) escrito e um coração desenhado. A cantora pernambucana era sua concorrente na categoria.

O grande vencedor da noite foi mesmo Paulinho da Viola, que saiu com três prêmios nas mãos dos seis aos quais concorria: melhor canção (“Vai Dizer ao Vento”) - as três músicas nessa categoria eram faixas de seu “Acústico MTV” -, disco e cantor de samba. “Eu fiquei lisonjeado, mas também constrangido (por ter três canções concorrendo entre si)”, afirmou o carioca.

Emílio Santiago e Fafá de Belém receberam dois prêmios cada um, como Siba e a Fuloresta. O Zimbo Trio também saiu com seu troféu, escolhido Melhor Grupo na Categoria Instrumental.

A cerimônia do Prêmio TIM é enxuta e dá destaque ao homenageado. De categoria em categoria, os premiados apenas sobem ao palco e posam para fotos com o troféu, sem discursos. Marieta Severo e Marcos Palmeira, como apresentadores, até tentaram improvisar, mas não lhes sobrava muito espaço.

Os melhores momentos, como conseqüência, foram as apresentações de Dominguinhos. Com seu acordeom, ele se apresentou ao lado da filha, Liv Moraes (“Casa Tudo Azul”), de Elba Ramalho (“De Volta pro meu Aconchego”), Vanessa da Mata (“Lamento Sertanejo”), Gilberto Gil (“Eu Só Quero um Xodó”), Ivete Sangalo (“Gostoso Demais”), Nana Caymmi (“Contrato de Separação”) e Zezé di Camargo & Luciano (o primeiro sem voz e o segundo, sem retorno) (“Tenho Sede/Vida de Viajante”).

Com os forrozeiros Jorge de Altinho, Flávio José e Genival Lacerda - dançando com seu barrigão -, Dominguinhos lembrou “Riacho do Navio”, “Pedras que Cantam” e “Isso Aqui Tá Muito Bom”. Ao final, Marieta Severo anunciou “os maiores sanfoneiros do Brasil” - Oswaldinho do Acordeom, Renato Borghetti, Toninho Ferraguti, Gennaro, Waldonys e Adelson Viana - para acompanharem Dominguinhos no encerramento da noite.

*O jornalista viajou ao Rio à convite da TIM.

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