Nacional

Governador defende permanência de plantadores de arroz na Raposa

Por Folhapress | Com Reuters
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São Paulo - O governador de Roraima, José Anchieta Júnior, defendeu ontem a permanência dos plantadores de arroz na Terra Indígena Raposa do Sol como forma de garantir parte da produção de alimentos no estado. Ele disse que os arrozeiros são responsáveis por 7% do PIB (Produto Interno Bruto) de Roraima e destacou o papel dos produtores diante do risco de escassez de alimentos no mundo.

“Em pleno século 21, se falando em falta de alimentos, em desenvolvimento, essa demarcação quer tirar dali seis empresários que estão produzindo arroz para Roraima e exportando o excedente para Amazonas e Tocantins’’, criticou o governador, durante seminário em defesa da Amazônia e das fronteiras brasileiras, no Clube de Militares da Aeronáutica, no Rio.

Anchieta Júnior destacou que, ao levantar a questão, defende os interesses de toda a população do estado, e não dos arrozeiros que ocupam a reserva indígena em detrimento dos cerca de 20 mil índios que vivem na região.

Seminário

O seminário Amazônia e Realidade Brasileira vai debater com todos os segmentos da sociedade questões como “As fronteiras do Brasil com países vizinhos correm perigo com a extensão das reservas indígenas?”. “Como o STF pode vir a se posicionar sobre a Reserva Indígena Raposa Serra do Sol?”

O prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero, estará presente ao encontro. Também devem participar o sociólogo Hélio Jaguaribe, membro da Academia Brasileira de Letras, o professor João Ricardo Moderno, presidente da Academia Brasileira de Filosofia, que abordará a declaração da ONU sobre direitos dos povos indígenas.

Governador acusa ONGs

O governador de Roraima, José de Anchieta, acusou ontem as organizações não-governamentais (ONGs) estrangeiras de se aproveitarem da questão indígena para tirar benefício da Amazônia brasileira.

Anchieta, cujo Estado tem 46,24 por cento do território ocupado por demarcações indígenas, afirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma política indigenista “caótica, incoerente e irresponsável”, que põe em risco a soberania nacional por criar enormes demarcações territoriais para os índios em locais estratégicos.

“O índio brasileiro é apenas coadjuvante. Os atores principais estão atrás de uma cortina de fogo. Eles estão sendo usados como bode expiatório”, disse Anchieta, durante seminário no Clube da Aeronáutica do Rio de Janeiro para debater a Amazônia e a soberania nacional.

“Há uma coincidência imensa que essas demarcações aconteçam em áreas com muitas riquezas de ouro e diamantes. Nós temos certeza que não foram os índios que fizeram prospecção”, acrescentou.

O governador de Roraima - onde índios da reserva Raposa Serra do Sol entraram em confronto com funcionários de uma fazenda no início do mês - concordou ainda com recente afirmação do comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, que criticou a demarcação da reserva.

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