Era uma vez um planeta muito distante, mas distante mesmo da Terra. Neste mundo algo chama muito a atenção. É a prestação de serviços à população, mais especificamente as atividades de um local onde os habitantes depositam e obtém empréstimos de algo que, a cada dia, adquire um valor mais alto, assumindo um patamar quase inatingível a outro objeto, coisa, animal. Isso segundo a escala de valores proposta pela sociedade que prega cordialidade e compaixão. Talvez eles estejam meio equivocados quanto aos valores, ou talvez impere uma palavra conhecida nossa – hipocrisia.
Há um país nesse mundo que tem uma característica ainda mais notável. Esse tal país, por mais que divulgue a imagem de crescimento, desenvolvimento e preocupação com o social, anda meio mal das pernas. Mas engraçado, ele nem é tão velho, tem apenas 508 anos.
O fato é que há projetos de cunho assistencialista, como nós diríamos aqui (lá não sei qual seria o termo correlato), mas enfim, são ações de cima para baixo que não alteram a situação, apenas anestesiam os problemas para estes passarem meio despercebidos. E enquanto esses pontos dissonantes da propaganda do oba, oba adquirem proporções insustentáveis dentro de um caldeirão tampado, os locais de depósito e empréstimo divulgam dados bem reais – recorde de lucro no primeiro trimestre; bilhões, trilhões no semestre.
Então façamos um exercício, é rápido e fácil - se alguém possui cada vez mais, os ninguéns possuem cada vez menos, ou sejamos positivos, mantêm o montante gigantemente irrisório que acumularam. É simples, é só pensar numa balança.
Voltando à prestação de serviço. Um morador do tal país precisava do serviço de um local de depósito, então assinou todos os campos necessários e estabeleceu relações com o local. Disseram a ele: “a sua chave para ter acesso ao serviço é um cartão que chegará à sua residência”.
Passadas algumas semanas, nada do cartão, mas chegou talão de cheque, que o indivíduo não havia solicitado. Vai o cidadão ao local das transações, cancela o cheque e pede seu cartão. “Vamos solicitar novamente, em 3 dias chega em sua casa”. E finalmente chegou.
O indivíduo então se dirige ao local para retirar o pagamento por seu trabalho, mas é necessária uma senha, que ainda não apareceu na história. A tal senha foi solicitada novamente, mas havia uma saída para o cidadão retirar o que precisava naquele momento: ir ao caixa e fazer um saque apresentando seu RG. Tudo estava resolvido, quando, de repente, um funcionário do caixa vira-se e diz: “sim, o senhor pode sacar sem a senha, mas é cobrada uma taxa”.
Pois é, por incompetência da prestadora de serviços, o indivíduo teria de pagar uma taxa ou aguardar mais uma vez na fila para falar com a gerente para que não fosse debitada a taxa da sua conta. E assim termina a história - o indivíduo deixa de sacar, pois não tinha tempo para falar com a gerente e não queria que fosse debitada a taxa de sua conta, valor que certamente iria formar os bilhões e trilhões. Volta para casa e ainda aguarda a senha.
A autora, Raquel Faccioli, é estudante de jornalismo da Unesp-Bauru