Política

PTB e PV entram em atrito por aliança

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 4 min

O assentamento de partidos políticos em torno de pré-candidaturas a prefeito de Bauru – através de coligações ou chapas puras – parecia ser o caminho natural às vésperas das convenções, mas duas legendas locais inverteram essa lógica. Após iniciarem conversações para uma dobradinha, PTB e PV passaram a não falar a mesma língua, gerando atrito de proporção regional e envolvendo diretamente dois políticos de expressão em São Paulo: Campos Machado, deputado estadual e presidente paulista do PTB, e José Paulo Tóffano, deputado federal pelo PV.

A repercussão do caso e o impasse que cerca a situação levaram os dois políticos a agendar conversa para a próxima segunda-feira em São Paulo com o intuito de aparar as arestas. A questão central do impasse é que o PTB garante existir acordo para uma dobradinha em Jaú, com o PV encabeçando a chapa, mas extensiva a Bauru, com inversão de papéis, ou seja, o PTB indicando o candidato a prefeito. Já o PV diverge desse entendimento e afirma que a aliança foi discutida somente para Jaú.

Em entrevista nesta semana à rádio Auri-Verde, Tóffano comentou que o PV e o PTB possuem ampla aliança em várias cidades do Estado, mas que Bauru está fora dessa conjuntura. “Vincular a questão de Jaú e Bauru é devaneio de alguém que não está por dentro da história. Não tenho idéia de onde isso tenha partido”, disse ele. “Não existe absolutamente nada nesse sentido. A aliança foi fechada somente em Jaú”.

Ontem, após algumas tentativas do JC em falar com o deputado federal, seus assessores informaram que ele estava em audiência e, depois, a caminho do Piauí para um evento. O presidente do PV em Bauru, Raul Gonçalves de Paula, afirma que, caso tenha havido algum acordo entre as duas legendas, ele foi selado entre os “caciques” dos diretórios estaduais, no entanto nenhuma decisão chegou ao seu conhecimento. Segundo ele, o orientação do PV no Estado é que Bauru tenha candidatura própria.

Reação petebista

Mas o posicionamento do diretório estadual do PTB é diferente. Segundo Carlos Thadeo, coordenador regional do PTB e chefe de gabinete do deputado estadual Campos Machado, os dois deputados acertaram a composição das legendas tanto em Jaú quanto em Bauru. Chegou até a informar a data do encontro: 14 de setembro de 2007.

De acordo com Thadeo, a configuração política entre as duas legendas começou a se desenhar no ano passado, quando o jauense Osvaldo Franceschi deixou o PTB para se filiar ao PV. “Naquela ocasião ficou acertado que na condição da saída do Franceschi do PTB nós indicaríamos o candidato a vice-prefeito em Jaú e em Bauru ocorreria o inverso: o PTB lançaria como candidato Toninho Garmes e o PV apoiaria indicando o vice na chapa”, diz o coordenador. “Foi um acordo acertado e celebrado, e cumprimos nossa parte”.

O presidente do PTB em Bauru, Ricardo Oliveira, acrescenta que o PV procurou Franceschi devido ao bom desempenho que teve em 2006 como candidato a deputado estadual, credenciando-o como potencial nome à Prefeitura de Jaú.

As declarações dadas por Tóffano à rádio Auri-Verde chegaram ao conhecimento do diretório estadual do PTB e causaram dissabores. “A entrevista nos causou muita indignação e incômodo a ponto de revermos o acordo firmado”, avisa Thadeo. “Interpretamos que o partido foi menosprezado nas declarações do Tóffano e queremos rever qualquer possibilidade de coligação regional”. “O PTB foi tratado como uma legenda de aluguel e a reboque”.

Oliveira ressalta que o entendimento entre os dois partidos é bom e o canal para diálogo com o PV continua aberto, mas admite que a negociação esbarra no posicionamento do deputado federal, que quer a candidatura própria dos verdes.

O presidente do PTB em Bauru relatou ao jornal que recebeu uma ligação ontem à tarde de Thadeo informando que, diante da repercussão do caso, Tóffano entrou em contato com Machado para um encontro. A reunião está marcada para segunda-feira, às 14 horas, no escritório do deputado estadual em São Paulo.

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Estela nega acordo

Além do descompasso entre PTB e PV, o presidente estadual do PTB, Campos Machado, reclamou de um possível descumprimento pelo PT de um amplo acordo estadual.

Sobre o assunto, Estela Almagro, membro da Executiva Estadual do PT, encaminhou nota comentando que em nenhum momento houve acordo entre as duas legendas. “Conversações políticas em sentido mais amplo que os limites de municípios são naturais em ano eleitoral, mas elas devem obedecer ao mínimo de lógica que pressupõe afinidade com o projeto político local”, afirma. Em nenhum momento traçamos diretrizes sequer parecidas com o PTB em Bauru, mas gostaríamos de fazê-lo agora, para que viesse compor conosco em cima de um debate político qualificado”.

Segundo ela, um acordo mais amplo envolve tanto a cúpula estadual quanto a municipal e, no caso da aproximação entre PTB e PT em Bauru, afirma que o debate não ocorreu. Estela considera encerrada esta discussão na medida em que o PT já optou por um amplo arco de alianças e apoio incondicional à pré-candidatura de Rodrigo Agostinho (PMDB), onde ela é vice na chapa.

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