Geral

Cigarro vai do glamour ao declínio

Por Luciana La Fortezza | Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Embora não fosse necessário, a imagem de virilidade de James Dean na década de 50 foi reiterada pelo glamour do cigarro. Atualmente, no entanto, ele só seria retratado fumando se deixasse o papel de rebelde para assumir definitivamente o de vilão. No Dia Mundial sem Tabaco, a constatação define a trajetória do cigarro, que perdeu o status de charme e entrou em declínio.

Os fumantes, literalmente, perderam a vez. Em alguns ambientes, chegam a ser excluídos. Não por acaso, uma leitora do Jornal da Cidade admitiu sentir-se cidadã de segunda categoria por conta do vício, em carta à Tribuna do Leitor.

“Sou fumante e entendo que seria muito melhor se eu não fumasse. É meu único vício e um de meus prazeres. Exijo que dentro de restaurantes haja salas de fumantes e não fumantes. Que espaço igual em conforto seja destinado a ambos os segmentos”, escreveu Mara Montezuma Assaf. Mas é provável que a reivindicação dela não seja atendida. Não apenas por uma eventual questão discriminatória.

Ocorre que o número de fumantes tem diminuído tanto, que a preocupação de proprietários de estabelecimentos comerciais pode ter sido relegada a segundo plano. Em outros casos, o espaço destinado a eles só é mantido justamente porque estão em quantidade quase insignificante. É assim no restaurante de Jefferson Previero. Embora a presença deles não seja constante, já é suficiente para provocar reclamações de clientes acomodados próximo a ala de fumantes.

“Eles pedem para mudar de mesa. Eu não gosto de cigarro, mas respeito o consumidor”, comenta. Para não ficar dividido entre eles, José Renato Fernandes definiu ser proibido fumar em seu estabelecimento, inaugurado há três meses. “Depois do almoço, eles fumam lá fora. Nunca ninguém reclamou ou fumou aqui dentro. As pessoas respeitam”, informa.

Educação

Como alimentação e cigarro não combinam no mesmo ambiente, o que vale é bom senso e educação, defende o ex-fumante Raul Sampaio Aguillar Júnior. Para ele, no entanto, que ainda sente saudade do hábito de fumar, existe exagero contra os fumantes. Apesar da opinião, admite não gostar do odor que carrega quem acabou de apagar um cigarro. Mas condena também quem, frente à situação, põe a mão no nariz.

“Quando comecei a fumar, era bonito, era chique. Os meninos mais bonitos, mais machos fumavam. Só os “bocomoco” não fumavam”, relembra o corretor de seguros. Faz a mesma observação a jornalista Cláudia Pinto, que ainda não abandonou seus maços. “A maioria dos adolescentes fumava quando eu tinha 18 anos. O professor podia fumar na porta da sala de aula”, comenta.

Atualmente, no entanto, quando está sem fogo, não consegue ninguém para acender seu cigarro. O “fumódromo” de seu ambiente de trabalho está prestes a virar local abandonado. “Me sinto discriminada até em bar”, conclui, ao fazer planos para abandonar o vício.

____________________

Câncer

O Serviço de Orientação e Prevenção do Câncer (SOPC), órgão da Secretaria Municipal da Saúde, registrou o atendimento de 324 pessoas com diagnóstico de câncer no ano passado, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura. Desse total, 143 são do sexo masculino e 181 do sexo feminino.

Entre os tipos de câncer que provavelmente possam ter tido o tabagismo como uma das causas da doença foram registrados seis casos de câncer nasal, seis de laringe, dez de língua, três de palato, três de boca, um de amígdala, um de mandíbula, dois de lábios, oito de pulmão, seis de esôfago e quatro gástricos.

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece ainda que esses números são referentes aos atendimentos realizados pelo SOPC, não refletindo a realidade total do município.

Comentários

Comentários