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Menino de 10 anos tem rosto queimado

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O Jardim Redentor teve uma noite de terror anteontem. Um menino de 10 anos teve o rosto queimado com álcool combustível e o suspeito de ter provocado os ferimentos foi agredido pela população do bairro. O caso foi levado para a Delegacia da Infância e Juventude (Diju), que vai investigar as circunstâncias do caso. Ontem, a vítima permanecia internada no Hospital Estadual e seu estado era considerado estável.

De acordo com o informado pela Polícia Civil, os garotos - a vítima e um adolescente de 14 anos - estavam na Praça da Amizade, no Jardim Redentor, pouco antes das 21h, quando ocorreu o fato. Em circunstâncias ainda a serem esclarecidas, a criança teve parte do rosto queimada.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e levou o garoto ao Pronto-Socorro Central (PSC). De lá, ele foi encaminhado para o Hospital Estadual, onde foi recebido pela Unidade de Tratamento de Queimaduras. Revoltados, populares que estavam nas proximidades agrediram o adolescente.

Até o final da tarde de ontem, o menino permanecia internado e seu estado era considerado estável. De acordo com informações da unidade de saúde, o garoto teve queimaduras de 2.º grau em 8% do corpo, principalmente na face.

Segundo o delegado da Diju José Dorneles Costa, titular da unidade especializada, o fato ainda será apurado. “Não há a confirmação de que foi de propósito”, informa. O adolescente não foi apreendido.

A mãe do garoto, que preferiu não ter o nome revelado, conta que na tarde de anteontem seu filho foi brincar na casa de amigo e ao retornar para a sua casa foi chamado pelo adolescente. “Ele namorava a minha filha e queria voltar, mas ela não aceitava. Além disso, já tinha agredido meu filho, passado uma rasteira nele dias atrás”, relata.

Segundo ela, o adolescente era o dono da garrafa de combustível e estava enchendo a boca de álcool e depois cuspindo em uma chama, provocando uma língua de fogo - como nos números de pirofagia, comuns em apresentações de circo. Ela conta que quando o filho se virou para o adolescente, ele teria cuspido o álcool em chamas na direção da criança. “Agora, o meu filho está lá no hospital e ele na rua”, lamenta.

A mãe revela que o menino está com o rosto inchado, com bolhas, mas não corre risco de morte.

“O médico me explicou que fará de tudo para que ele não fique com seqüelas. Mas ele está reagindo bem, é um menino forte”, conta. Apesar disso, não existe previsão de alta para o seu filho. “Além disso, eu estou desempregada. Como vou fazer para visitá-lo todos os dias? E depois, quando ele sair, quem vai pagar pelos medicamentos?”, questiona.

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