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Ginástica: Jade Barbosa ganha ouro e Diego Hypólito vira o maior medalhista

Por Cristiano Cipriano Pombo | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Moscou - Depois de conquistar cinco pratas desde que passou a freqüentar a Copa do Mundo, Jade Barbosa desencantou ontem e quebrou um jejum de ouros do País no feminino. Mas o ouro veio suado, no dia em que a ginasta revelou à reportagem não estar 100% confiante para estrear novos elementos. Já Diego Hypólito tornou-se ontem em Moscou o maior medalhista do Brasil na Copa do Mundo de ginástica artística.

Após ver Laís Souza cair na final - acabou em oitavo lugar -, a ginasta carioca executou bem seus dois saltos, mas eles nem de longe chegam perto dos que pretende apresentar na Olimpíada de Pequim. Jade tirou 14,750, mas pensou que a russa Anna Pavlova, com saltos muito similares aos seus, fosse lhe tirar a vitória, até por estar atuando em casa. “Pensei que seria prata de novo. Até porque não forcei e fiz saltos simples. A russa foi muito bem. Mas ainda bem que deu empate em primeiro lugar”, disse Jade. “Estou sem acreditar direito.”

O ouro, o 15º do País no feminino na história da Copa, encerra jejum que durava desde dezembro de 2006, quando Daiane dos Santos triunfou na finalíssima em São Paulo. Apesar da vitória, Jade lamentou as quedas na trave (ficou em sétimo lugar) e no solo (oitavo lugar), em que utilizou novos elementos e viu a chinesa Linlin Deng triunfar nos dois aparelhos.

“Acredito que dá para rivalizar com a chinesa em Pequim, mas é que hoje (ontem) não deu. Preciso testar mais os elementos novos. Foi bom que aqui pude errar. Na Olimpíada, não”, disse Jade. A vitória de Jade no salto agradou ao técnico Oleg Ostapenko, que viu Ana Cláudia Silva ficar em quinto no solo, a 0,050 ponto do bronze.

Diego Hypólito

Mesmo com dor e longe do auge da forma, Diego Hypólito tornou-se em Moscou o maior medalhista do Brasil na Copa do Mundo de ginástica artística. E resolveu: na volta ao País, irá se poupar e se fechar. Penúltimo dos oito finalistas a se apresentar no solo, Diego lançou mão de elementos mais simples para compor a série, com o objetivo de evitar que as dores nos pés piorassem. E acabou com a medalha de prata, com 15,625, só 0,025 atrás do russo Anton Golotsutskov.

Com o pódio, Diego, 21, supera Daiane dos Santos e agora é o brasileiro com maior número de medalhas na Copa, que só perde em importância para o Mundial e a Olimpíada. Agora ele detém 16 pódios (dez ouros, duas pratas e quatro bronzes), contra 15 (dez ouros, uma prata e quatro bronzes) da ginasta gaúcha. “Estou muito feliz e quero deixar bem claro, porque no Brasil há uma cultura de que só o ouro tem importância, que competi com apenas 60% da minha capacidade física e com dores nos dois pés. Isso sem contar que é a minha primeira competição no ano”, afirmou.

A etapa da Copa em Moscou marcou a volta do ginasta paulista às competições após seis meses parado, período em que passou por uma cirurgia no joelho direito e até ficou internado em um hospital, com dengue. Para Diego, porém, as dores não definiram o resultado, e sim a falta de resistência física. “Estou pesado para fazer os elementos. Não fui aqui nem sombra do Diego da Olimpíada.”

Apesar de ter testado dois elementos novos na série, o bicampeão mundial de solo tem em mente que melhorar a parte física é sua prioridade até Pequim. “Estou 60%. Daqui duas semanas, no Brasileiro (de 12 a 14 de junho), quero estar com 75%. E, no amistoso em Belarus (no final de junho), quero estar com 85%. Depois, em vez de outra Copa, vou para o Japão (8 de julho) para me preparar e chegar inteiro à Olimpíada.”

A competição na Rússia também abriu os olhos do atleta e de seu treinador, Renato Araújo, para outras questões. A primeira delas, Diego, que ontem ficou em oitavo na final de salto, irá priorizar o solo. “São dois meses até a Olimpíada. Por isso achamos difícil desenvolver dois saltos 17 pontos cada um [em Moscou, fez um de 16,60 e outro de 16,20], pois os que ele treina nesse valor forçam muito na chegada. E isso é arriscado, pois pode machucar o pé, que já não está 100%. Vamos investir no solo com força total”, disse Araújo, que treina Diego há 13 anos.

Além de se poupar para o solo, Diego se fechará para a mídia. “O pessoal tem achado que sou ator de TV. Querem saber da minha vida pessoal e acham que posso dar entrevista e ir à festas a toda hora. Isso acabou. Irei me concentrar em treinar”, disse o atleta do Flamengo. Além de se tornar o maior medalhista do País na Copa - faturou sua primeira medalha no torneio em 2004, Diego ampliou sua vantagem no ranking mundial de solo. Agora, irá liderar com 134,66 pontos a mais que Marian Dragulescu (ROM), que tem 371,06.

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