São Paulo - Investigado sob a suspeita de integrar uma rede de pedófilos que oferece programas pela internet e age na cidade de São Paulo, o tenente da Polícia Militar Fernando Neves Braz, 34 anos, da Força Tática do 5.º Batalhão (zona norte), suicidou-se na manhã de ontem após receber uma ordem de busca e apreensão em seu apartamento.
Braz estava na corporação havia 11 anos, era casado e pai de uma menina de nove anos. Ele se matou com um tiro na cabeça com a própria arma, no banheiro de seu apartamento, no 4.º andar de um prédio na avenida Nova Cantareira, na zona norte de SP.
Braz foi o oficial da PM que, na noite de 29 março, comandou a equipe de 30 PMs que fez uma varredura no Edifício London, na Vila Isolina Mazzei (zona norte), logo após a menina Isabella Nardoni, 5 anos, ter sido jogada pela janela do sexto andar.
A equipe de Braz procurava um suposto ladrão.
A 5.ª Delegacia Seccional Leste chegou ao nome do tenente após prender no dia 24, na zona sul, o operador de telemarketing e pai-de-santo Márcio Aurélio Toledo, 36 anos. Ele foi preso e indiciado por pornografia infantil, acusado de distribuir imagens de sexo de adultos com crianças em salas de bate-papo da internet. O delegado André Pimentel suspeita que o pai-de-santo oferecia os programas com as crianças.
Para chegar à identidade de Toledo, os policiais civis contaram com denúncias feitas por um homem que se relacionava com o pai-de-santo na internet e para quem ele havia dado o número de telefone.
Com autorização judicial, o telefone de Toledo foi grampeado. No dia 22, Toledo e Braz mantiveram duas conversas telefônicas. Nelas, ambos falam sobre uma menina, supostamente de seis anos, que estaria na casa do pai-de-santo e que, nas palavras dele, “já havia sido avisada que iria ser feita mulher naquele noite’’.
Os policiais civis flagraram o carro do oficial da PM passar diversas vezes pela rua de Toledo. No Gol, os investigadores sabiam que ele carregava uma filmadora e câmera fotográfica.
Na noite de ontem, o Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais) concedeu um mandado de busca e apreensão para quatro endereços vinculados ao oficial da PM.
De folga, Braz foi chamado ontem de manhã à sede do 5º BPM, onde recebeu a notícia da ordem de busca em seu apartamento e partiu para lá com os policiais civis e com agentes da Corregedoria da PM.
Ao entrarem, Braz correu para o quarto, pegou sua arma, ameaçou os policiais, foi ao banheiro e se matou.
A polícia apreendeu quatro computadores. Os aparelhos passarão por perícia, assim como vários CDs e disquetes.
Na próxima sexta-feira, senadores da CPI da Pedofilia farão ações em São Paulo e uma audiência no Ministério Público Estadual. O caso envolvendo o oficial da PM Braz será debatido no evento.