Rio - Os Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia irão lançar, no mês que vem, uma rede nacional de pesquisas com células-tronco. De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, inicialmente, serão investidos R$ 25 milhões no programa, mas ele garantiu que “o Ministério está absolutamente disposto a dar apoio institucional, técnico, político e financeiro aos grupos (de pesquisa) que existem no Brasil”.
O objetivo, segundo ele, é criar uma rede de conhecimento que integre instituições e entidades que trabalhem com projetos em conjunto. “É uma área em que o Brasil tem condições de estruturar um grau de conhecimento e competir com os países centrais no desenvolvimento de novas tecnologias para o futuro”, afirmou Temporão, após inaugurar o novo prédio do ambulatório de tratamento de hanseníase da Fundação Oswaldo Cruz, ontem, no Rio.
“Infelizmente, o Brasil ficou três anos aguardando essa decisão. Isso foi muito prejudicial para um grande número de pesquisadores, mas é possível recuperar o tempo perdido”, afirmou o ministro.
Sobre o resultado do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que anteontem confirmou a constitucionalidade do artigo sobre pesquisas com células-tronco embrionárias da Lei de Biossegurança, Temporão disse acreditar que “a decisão do Supremo não foi apenas de defesa da vida, mas também permite ao País desenvolver tecnologia própria e depender menos de tecnologia desenvolvida fora”.
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, disse ontem que já eram esperadas reações como a da Igreja Católica , contra a aprovação de pesquisa com células-tronco embrionárias pelo Plenário da Corte.
Ele ressaltou o papel da Igreja, que defendeu suas convicções durante todo o processo no STF, que se estendeu por três anos.
“É natural que a Igreja tenha sua função. Ela cumpriu a função natural, mas somos um Estado laico. Levamos em consideração, sim, a liberdade religiosa, mas outros paradigmas foram considerados na decisão.”