Bauru espera resolver nos próximos cinco anos um dos problemas mais crônicos da cidade em relação ao meio ambiente. O tratamento de esgoto, que sempre foi a pedra no sapato das últimas administrações municipais, começa a se encaminhar para um final feliz.
Bauru produz, em média, cerca de 78 mil metros cúbicos de esgoto por dia, o que representa quase 900 litros por segundo. Até o momento, esse volume é despejado in natura nos nove afluentes do rio Bauru. Desse total, 85% é oriundo das residências e o restante industrial.
Depois de outras tentativas sem sucesso no passado, a administração municipal e a diretoria do Departamento de Água e Esgoto (DAE) acertaram com o promotor do meio ambiente do município, Luiz Eduardo Sciuli de Castro, um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para o tratamento do esgoto na cidade.
De acordo com o ex-presidente do DAE, o hoje vereador José Clemente Resende, esse compromisso só pôde ser assumido graças à aprovação do Fundo de Tratamento de Esgoto, por meio do que é cobrada uma taxa de 40% do valor total do consumo de água de cada consumidor bauruense.
“Esses recursos é que estão possibilitando a execução das obras necessárias para o tratamento do esgoto na cidade”, explica Clemente. De acordo com ele, o fundo possui hoje caixa de aproximadamente R$ 14 milhões, que só podem ser empregados nas obras de instalação dos interceptores de esgoto e das duas estações de tratamento de esgoto (ETE’s) que estão previstas para Bauru.
Uma dessas estações está localizada nas proximidades do Núcleo Gasparini, zona norte, e encontra-se quase pronta. A previsão era que as obras estivessem concluídas até o final do último mês, mas um problema na documentação atrasou a finalização da construção em oito meses.
De acordo com Castro, promotor de meio ambiente, o problema não foi na documentação oriunda de Bauru e sim nos órgãos que aprovam o projeto, mas mesmo assim tudo segue dentro da normalidade.
“Atraso aconteceu para que a cidade tomasse uma atitude para sanar de vez esse problema. Estamos atrasados muitos anos. Essa obra já deveria estar pronta há muito tempo”, comenta o promotor.
A previsão é que a estação do Gasparini entre em operação em dezembro deste ano. A ETE terá capacidade para tratar 432 metros cúbicos de esgoto por hora, volume produzido por cerca de 30 mil pessoas residentes em bairros localizados na zona norte, como a Jardim Índia Vanuíre, Pousada da Esperança 1 e 2 e o próprio Gasparini. A obra completa foi orçada em R$ 2 milhões.
Já as obras da estação maior, a ETE Vargem Limpa, localizada no Distrito Industrial 1, irão atender aos bairros das zonas sul, leste e oeste, fazendo com que Bauru tenha um índice de 100% de tratamento de esgoto. A construção, no entanto, ainda não foi iniciada.
O TAC prevê, até maio de 2008, a implantação de interceptores de esgoto no córrego Água do Sobrado (5.400 metros), Água da Ressaca (6.100 metros) e ribeirão Vargem Limpa (2.800 metros). A ETE maior terá sua construção dividida em módulos e o primeiro dos quatro previstos, de acordo com o DAE, deverá entrar em funcionamento até dezembro de 2009.
Cada um desses módulos irá garantir o tratamento de esgoto para cerca de 120 mil bauruenses. Até agosto de 2010, mais 11 mil metros de interceptores de esgoto devem ser implantados e o segundo módulo da ETE deverá entrar em funcionamento.
Até dezembro de 2012, 17.200 metros de interceptores deverão estar instalados nos córregos da cidade e, no final de 2013, a terceira etapa da ETE maior deverá estar funcionando. O quarto módulo só terá início depois que a população de Bauru ultrapassar 400 mil habitantes.
As duas ETEs em pleno funcionamento serão capazes de tratar o esgoto de aproximadamente 500 mil pessoas. Para tanto, serão necessários cerca de R$ 80 milhões para a conclusão das obras. Segundo Rezende, Bauru pretende buscar parte desses recursos junto aos governos federal e estadual.
Nucimar Dolores Borro Paes, da divisão de planejamento do DAE, acredita que as obras de construção das ETEs e a reparação necessárias nos rios e córregos da cidade, incluindo as nascentes, deve chegar a R$ 140 milhões.