Aparelhos de TV, rádios, celulares, pilhas, baterias (inclusive de aparelhos telefônicos), computadores e muitos outros eletroeletrônicos e eletrodomésticos com ciclos de reposição cada vez mais curtos vão parar no lixo e daí seguem para os aterros sanitários, que em sua maior parte não estão preparados para receber esse tipo de material.
Em Bauru, o caso pode ser até mais grave. Basta realizar uma visita aos bairros mais afastados do Centro da cidade para checar que esses locais têm se tornado verdadeiros depósitos de lixo de todos os tipos: domésticos, industriais e eletrônicos.
Não existe na cidade números exatos que remetam ao tamanho do problema, mas o lixo eletrônico ou o e-lixo, como vem sendo chamado, deve ser encarado desde já como sério problema de saúde pública.
A questão se agrava quando se leva em consideração que não há legislação nacional que normatize o destino correto para a sucata digital produzida dentro do nosso território ou que responsabilize o fabricante pelo seu descarte.
O que existe é a regulamentação 257 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que trata do lixo eletrônico. O texto estabelece limites para o emprego de substâncias tóxicas em pilhas e baterias e responsabiliza os fabricantes para que mantenham sistemas de logística inversa para encaminhar esses resíduos para reciclagem.
Mas o mundo do lixo eletrônico não é só composto de pilhas e baterias. Atualmente a maior parte das famílias tem trocado seus aparelhos de TV antigos por modelos mais modernos de plasma ou LCD. Os celulares em Bauru, assim como no Brasil, se tornaram uma febre, sendo estimados em 102 milhões de unidades em uso.
A venda de computadores também é grande. Segundo o IDC, em 2007 foram vendidos 7 milhões de unidades. Para este ano, o aumento nas vendas deverá superar a casa dos 20% e atingir a casa de 8,5 milhões de micros.
A questão do e-lixo foi tratada na última semana pelo projeto Olhar Verde (www.olharverde.com.br), que ao longo do ano pretende abordar e discutir 36 temas voltados para incentivar a adoção de hábitos de vida sustentável pela população via professores de escolas.
A mesa-redonda sobre o tema teve a participação do professor de administração da Instituição Toledo de Ensino (ITE) e um dos fundadores e atual diretor executivo do Esquadrão da Vida, Edmundo Muniz Chaves.
Chaves chamou a atenção para os problemas que o armazenamento inadequado desse tipo de lixo poderá trazer a médio e longo prazo. De acordo com ele, a decomposição dessa sucata pode contaminar, por exemplo, o Aqüífero Guarani, causando sérios danos a saúde das pessoas.
“O alumínio, quando ingerido pelas pessoas, pode causar o Mal de Alzheimer; o arsênio, problemas no fígado e rins e tantas outras doenças”, afirma o professor.
De acordo com Chaves, o lixo eletrônico em decomposição libera diversos produtos químicos, como mercúrio, zinco, prata e cromo, que contaminam que causam diversos danos à natureza e contaminam tanto a água, solo e ar.
“Está na hora da Câmara de Vereadores de Bauru criar uma legislação específica que trate do descarte desse tipo de material e que puna empresas e pessoas que tratem do assunto de maneira irresponsável”, sugere. “Se o Poder Público não tomar medidas hoje nesse sentido, vamos ter problemas sérios no futuro e que não serão resolvidos de uma hora para a outra”, completa Chaves.
O professor defende que Bauru e cidades da região criem um aterro sanitário adequado para esse tipo de lixo. O problema é que nem mesmo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) possui normas específicas para o assunto.
De acordo com o diretor do escritório regional da Cetesb em Bauru, Alcides Tadeu Braga, o problema do lixo eletrônico ainda é novo e por enquanto sua destinação ainda continua sendo discutida.