Geral

Salário baixo influencia até mesmo no repertório cultural dos docentes

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O arrocho salarial influencia no repertório do docente, para quem muitas vezes o investimento cultural passa a ser supérfluo. Sem dinheiro, até a sétima arte é excluída do orçamento. O problema é acirrado com a dupla jornada.

“Ele fica muito limitado até para fazer um curso superior. Se trabalhasse num local só, haveria possibilidade de dedicação maior. O resultado do trabalho seria melhor ainda. Afora isso, o salário baixo limita o professor a fazer cursos, comprar livros mais caros”, avalia Sônia Carvalho, diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm).

Concorda com ela a professora da rede estadual Maria José dos Santos, que defende direitos simples ao professor, como de ter seu próprio computador ou ir ao cinema a cada 15 dias, por exemplo. “Quando o salário não está bom, ele perde acesso à cultura, a uma boa revista. Estou no magistério há 15 anos e há 15 anos ouço sobre as insatisfações. Não tenho expectativas que mude substancialmente. Enquanto não houver vontade política, não vai melhorar”, garante.

Sendo assim, a população continuará sendo alfabetizada, sem contar com uma educação de qualidade que a permita aprofundar o conhecimento, opina Sônia. “Não há necessidade dela saber todos os seus direitos, entender a situação política. Sendo desse jeito, ela serve melhor como massa de manobra”, acrescenta.

No entanto, a sindicalista também acredita que, ultimamente, esteja mais difícil enganar as pessoas porque o povo aprendeu com a história.

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Investimento

Nem mesmo a secretária municipal da Educação Ana Maria Lombardi Daibem se surpreendeu com o conteúdo do relatório divulgado pela Unesco. “É óbvio que fecho questão de que historicamente houve um processo de desvalorização dos professores por conta de todo um contexto social, econômico, político e cultural do País, que refletiu na realidade dele”, diz.

No entanto, ela garante que a atual administração municipal, dentro das condições que lhe eram possíveis, investiu na área. “Era compromisso de gestão. Agora, nós tivemos que nos manter dentro das condições objetivas e reais que tínhamos. Isso não significa que estamos satisfeitos, que já atingimos o ápice do padrão que gostaríamos. É algo que tem que avançar progressivamente”, explica.

A Secretaria do Estado da Educação também foi procurada para comentar o resultado do estudo da Unesco, mas por desconhecê-lo preferiu não manifestar-se, segundo a assessoria de imprensa. A reportagem não encontrou representantes da Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) para abordar o tema.

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