Geral

Taxistas apostam nos idosos como clientes fixos

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Pegar um táxi em Bauru não é complicado, desde que você esteja perto de um ponto ou tenha em mãos o telefone de algum taxista. No entanto, há alguns clientes que contam com um serviço personalizado por parte dos taxistas. Esses clientes estão previamente agendados, com hora e dia marcados para que os taxistas passem em suas residências.

O taxista Rubens Dionizio é um dos especializados na condução desse tipo de passageiro. Segundo ele, desde 1999, quando começou na profissão, sua preferência é pela clientela fixa. Não quer dizer que seja diferente dos outros taxistas, pelo contrário, Dionizio está sempre no ponto da Praça Portugal, onde é cadastrado. “Tenho pelo menos uns 20 clientes fixos, alguns marcados e outros não, que ligam quando precisam”, disse.

A especialidade de Dionizio são os idosos e deficientes físicos e, com esses, ele tem atenção especial. “Os fixos são aqueles que fazem fisioterapia, tem dia e hora marcada. E tem aqueles que a gente leva para médico, fazer exames, ir ao banco. Esses não tem dia marcado, é uma vez por mês, ou, dependendo do que vai fazer sai quatro a cinco vezes por mês. Mas são os meus clientes prediletos”, salientou.

A grande vantagem, segundo ele, não é financeira, afinal, o valor da corrida não muda pelo fato do cliente ser fixo. Dionizio explicou que não cobra uma mensalidade das pessoas, mas o que der no taxímetro, até porque, nem sempre as corridas são para o mesmo lugar. “A grande vantagem é que você trabalha com pessoas de idade, educadas, que não vão oferecer perigo nenhum. Eu costumo falar sempre que meu cliente predileto é idoso e criança”, afirmou.

Apesar dessa preferência, o taxista segue a rotina normal dos colegas de profissão, com o diferencial de já ter suas corridas certas em determinados dias e horários. Ele explicou ainda que também pega crianças para levar à escola, ao médico e onde precisar. Dionizio faz questão de ressaltar que não há vantagens no faturamento. “É normal. Se você fizer cinco corridas, ganha um tanto, se fizer duas, ganha menos. Eu trabalho de acordo com o que meu taxímetro dá”, ressaltou.

A confiança dos passageiros é tanta que eles se dão ao luxo de pedir para que os taxistas comprem passagens de ônibus, quando precisam ir viajar. Durante a conversa com o Jornal da Cidade, Dionizio recebeu uma ligação de uma cliente de 83 anos, pedindo para que ele comprasse uma passagem para São Paulo, no próximo dia 29. “Eu já compro a passagem, seguro comigo e, no dia da viagem vou até a casa dela, levo para a rodoviária, ajudo a embarcar, coloco as malas no bagageiro. Então, faço um serviço de logística”, frisou.

Para se ter uma idéia do grau de confiança dos clientes com o taxista e vice-versa, Dionizio explicou que tem três passageiras no Jardim Terra Branca. O filho de uma delas mora em Cascavel, no Paraná. O taxista explicou que leva as três para onde elas precisam ir e, em um dia combinado, o rapaz liga para perguntar o valor das corridas e deposita direto na conta de Dionizio. “É uma relação de confiança”, disse.

Dionizio afirmou que, além dele, há muitos outros taxistas que fazem esse tipo de serviço. Os irmãos dele, Vanderlei e Sidnei, são dois que fazem parte da “rede”. “Todo taxista aqui do Altos da Cidade presta esse tipo de serviço”, ressaltou. “Nossos passageiros são pais e mães de médicos, advogados, juízes, promotores. Pessoas que não têm tempo de acompanhar os pais em todos os lugares, então contratam a gente para levar os pais nos lugares”, disse.

Em outro ponto da cidade, em frente ao PS Central, o taxista Carlos Marcandeli também tem clientes fixos, mas ao contrário de Rubens Dionizio, não é a preferência dele. Há 25 anos como taxista, Marcandeli afirma que às vezes não é vantajoso ter esse tipo de cliente, porque há alguns compromissos difíceis de serem cumpridos com clientes fixos. Mesmo assim, ele mantém um desses clientes há cerca de oito anos. “Mas dificilmente pegaria outro”, afirmou.

Comentários

Comentários