A convocação para a disputa do 31º Campeonato Sul-Americano, feita no último dia 16 pelo técnico da seleção brasileira feminina de basquete, Paulo Bassul, já havia trazido uma grande notícia para Bauru: a presença de uma atleta bauruense entre as convocadas. Tratava-se da armadora Natália Aparecida Mares Burian, que ajudou a equipe na conquista do 22º título sul-americano do País na modalidade, o 12º consecutivo. No entanto, na última sexta-feira, Bassul definiu as 12 jogadoras que disputarão o Pré-Olímpico, de 9 a 15 deste mês, em Madri, e, para a alegria dos bauruenses, a armadora foi mantida no grupo que disputará a vaga para as Olimpíadas de Pequim.
Das 12 atletas que disputaram o torneio sul-americano, duas fizeram sua estréia pelo Brasil numa competição oficial. A pivô Karina Jacob e a bauruense Natália, que foi um dos destaques do Campeonato Nacional de 2007 como líder em assistências, com a média de 7.1 (191 no total). Nascida em Bauru, em 20 de junho de 1984, Natália, que tem 1,62 metro, atualmente defende a equipe paulista de Catanduva, mas também já teve passagens por Jundiaí, NEO/Oklahoma (EUA) e Uberaba (MG). Por Uberaba, Natália conseguiu a terceira colocação do Campeonato Nacional, em 2003, enquanto por Catanduva foi vice-campeã, da mesma competição, em 2006 e 2007, mesmo ano em que também foi vice-campeã do Campeonato Paulista.
Hoje com 23 anos, Natália começou sua carreira no basquete ainda “menininha” em Bauru. Quem conta é seu pai, José Carlos Burian. “O Bauru Tênis Clube (BTC) estava formando um time mirim e ela passou em uma peneira para integrá-lo. Daí, com a ajuda do técnico do BTC na época, César Miranda, ela foi se aprimorando e, após disputar um jogo em Jaú, vários times ficaram interessados nela”, recorda.
Mas quem acabou levando a jovem atleta bauruense, na ocasião com apenas 14 anos, foi a equipe de Jundiaí, onde suas atuações a ajudaram a conseguir diversas convocações para as seleções brasileiras mirim e infantil. Seu desempenho logo despertou o interesse do time mineiro do Uberaba, onde atuou por apenas oito meses para depois retornar ao Jundiaí e, em 2004, assinar um contrato de três anos com um time universitário americano, o NEO/Oklahoma. “Ela tinha o sonho de jogar a WNBA (liga feminina de basquete americana), mas acabou ficando apenas um ano por lá”, conta o pai de Natália.
Isso porque, em 2005, Natália veio passear na casa dos pais em Bauru e acabou aceitando uma proposta, intermediada por seu ex-técnico do BTC, César Miranda, de disputar os Jogos Regionais daquele ano por Catanduva, que é comandado por Edson Ferreto até hoje. “Era para ela jogar somente aquele mês, mas, desde então, ela acabou ficando por aqui”, explica José Carlos Burian.
Pré-Olímpico
Além de Natália, as outras 11 jogadoras que irão disputar o Torneio Pré-Olímpico Mundial da Espanha serão: Chuca, Claudinha, Êga, Franciele, Graziane, Iziane, Karen, Karla, Kelly, Mamá e Micaela. A seleção brasileira, patrocinada pela Eletrobrás, está no grupo C e terá como adversários, na primeira fase, as Ilhas Fiji (10 de junho) e a Espanha (11). Nas quartas-de-final, o Brasil poderá enfrentar uma das três equipes do grupo D, Bielorrússia, Cuba ou Taipe.
Em entrevista ao site da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), o técnico Paulo Bassul destacou: “As 12 jogadoras têm muito potencial e com luta e dedicação podem alcançar os objetivos traçados. Temos de ter paciência, pois a equipe ainda está em formação e buscando espaço no cenário internacional. E estamos trabalhando para chegar no topo. O Pré-Olímpico é uma competição difícil, com seleções de bom nível técnico, mas temos condições de voltar com a nossa vaga”, ressaltou.