Tribuna do Leitor

Está escuro, mas nós cantamos!


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É impossível permanecer em silêncio diante das infelizes declarações do advogado da Cohab-Bauru William Ricardo do Amaral Carvalho. Para quem deseja saber mais, basta acessar o Jornal da Cidade de sexta-feira (30/5/08 - pág. 10). Vamos aos fatos:

1) O advogado cohabiano deixa a entender que é perfeitamente normal um trabalhador bauruense pagar R$ 380,00 mensais por uma casa popular. Após 300 prestações, encontraremos a cifra de R$ 114.000,00.

2) Ele disse: “Em regra, o reajuste do saldo devedor dos contratos é o mesmo para o saldo das contas do FGTS”. Pois bem: desde 1995, se os diretores da Cohab fizessem campanhas mensais de esclarecimentos, 80 por cento dos mutuários do Mary Dota teriam quitado suas casas num período de 5 anos. Basta fazer os cálculos. Naquele ano, o saldo devedor era de, em média, 12 mil reais.

Os mutuários continuaram pagando suas prestações, sem qualquer preocupação com o funcionamento do saldo devedor.

3) O advogado cohabiano faz referência a eventuais valores de aluguéis no Núcleo Nobuji Nagasawa. Alto lá: a Cohab é uma companhia de habitação popular ou uma imobiliária? Além disso, o Nobuji Nagasawa é de responsabilidade da Caixa Econômica Federal, com prazo de financiamento de 20 anos e não 25, como no Núcleo Mary Dota.

Se William Ricardo tem conhecimento da prestação de R$ 144,00, então por que ele defende o valor de R$ 380,00 do mutuário do Mary Dota?

4) O advogado cohabiano informa que a Justiça vem julgando improcedente a maioria das ações dos mutuários contra a Cohab. No âmbito político, esse fenômeno acontece porque não temos um deputado federal por Bauru, para o qual seria fácil participar de uma reunião do Conselho Gestor do FGTS. Nesse órgão, está a origem do nosso drama.

A reportagem informa que a metade dos 7.500 mutuários está inadimplente. Isso significa que William Ricardo está certo e 3.750 pais de família estão errados.

5) Por fim, ainda bem que o atual presidente da Cohab é Edson Bastos Gasparini Junior. Esse nome é sinônimo na defesa dos mais pobres.

Com certeza, Gasparini Junior não endossa as declarações infelizes de seu advogado. Em tempo: Tuga Angerami foi eleito para defender os mutuários do Mary Dota e não para incrementar o Departamento Jurídico da Cohab.

Rosemeire Leme Araújo - RG 20.064.254-6

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